Resumo: a Apple moveu uma ação de 41 páginas contra a OpenAI, alegando um esquema coordenado para obter segredos industriais por meio da contratação de ex-funcionários e de orientar candidaturas a trazer peças de hardware para entrevistas. A denúncia cita três ex-funcionários — Tang Tan, Chang Liu e Yu-Ting Peng — e sustenta que mais de 400 ex-funcionários da Apple migraram para a OpenAI, influenciando o desenvolvimento de hardware baseado em IA. A Apple afirma que esse conjunto de condutas revela uma cultura que favorece o uso indevido de informações confidenciais.
Entre as acusações, Liu teria ficado com um computador da Apple após a saída, adiantando não devolver o equipamento, e ter acessado novamente o sistema de armazenamento em nuvem da empresa para baixar dezenas de arquivos confidenciais, incluindo especificações técnicas e apresentações de engenharia. Peng, segundo a ação, manteve o fluxo de informações após a saída de Liu, alimentando projetos da OpenAI com dados protegidos por segredo comercial. A Apple cita mensagens em que Liu comenta ter acesso ao armazenamento e Peng responde “Estou pronta”.

Outra linha de acusação envolve Tang Tan, atual diretor de hardware da OpenAI, que, segundo a Apple, usava entrevistas de emprego para extrair informações sobre projetos confidenciais. A ação relata que Liu recebeu relatos de que outro ex-funcionário “se atrapalhou” ao responder perguntas de Tan sobre um projeto ultrassecreto, levando Liu a baixar informações para ajudar Peng na entrevista. Houve ainda episódios de captura de tela e download de arquivos relativos a um projeto sensível, com Tan supostamente solicitando mais detalhes durante as conversas.
A Apple afirma que Tan orientava candidatos a levar peças físicas da Apple — baterias, módulos SiP, placas lógicas e blindagens — além de artefatos CAD/design e apresentações intituladas “Technical Deep Dive”, com conteúdos confidenciais sobre projetos internos. Em alguns casos, a empresa relata que candidatos demonstraram surpresa com tais pedidos, questionando a viabilidade de levar itens do escritório.
Em outra frente, a Apple acusa a OpenAI de ensinar funcionários recém-contratados a driblar protocolos de segurança, incluindo instruções sobre como evitar o chamado “walkout” e sobre não assinar documentos na entrevista de desligamento. Alega também que a OpenAI usou segredos industriais com parceiros, para questionar processos de fabricação e até codinomes internos da Apple em fornecedores de alto nível.
O documento aponta ainda que, segundo a acusação, mais de 400 ex-funcionários da Apple atuam na OpenAI, o que aumenta a preocupação sobre o alcance do intercâmbio de informações confidenciais. A Apple afirma ter tentado dialogar com a OpenAI em fevereiro, sem resposta, antes de recorrer aos tribunais.
A OpenAI rebateu as acusações por meio de uma nota, dizendo que não tem interesse em segredos comerciais de outras empresas e que permanece focada em tecnologia que capacita pessoas ao redor do mundo: “Não temos interesse nos segredos comerciais de outras empresas. Continuamos focados em desenvolver tecnologia inovadora que capacite pessoas em todos os lugares.”
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