A PF encerrou a primeira fase da Operação Sem Desconto, que apura cobranças indevidas em benefícios do INSS. O relatório final, com 265 páginas, foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF, e resultou no indiciamento de 48 pessoas. A partir de agora, a Procuradoria-Geral da República avaliará se há denúncia, solicitará novas diligências ou pedirá o arquivamento do caso.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto; , ex-procurador-geral do órgão; o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca”; e Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Segundo a PF, Stefanutto e Virgílio de Oliveira Filho devem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Antunes é apontado pela prática de lavagem de dinheiro e participação em corrupção passiva. Lopes, por sua vez, é acusado de organização criminosa, lavagem de dinheiro qualificada e corrupção ativa majorada.
As defesas de Stefanutto e Antunes informaram que ainda não tiveram acesso aos autos para se manifestar; a Conafer também foi procurada, mas não retornou até a publicação da reportagem.
A investigação aponta que aposentados e pensionistas tiveram descontos mensais em seus benefícios como se fossem filiados a associações, mesmo sem autorização para adesão nem forçosas cobranças. O prejuízo estimado com os descontos irregulares pode chegar a 6,3 bilhões de reais, evidenciando o impacto financeiro sobre vítimas e o erário.
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