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Acordo com Arábia Saudita expõe contradição dos EUA na questão nuclear

Acordo com Arábia Saudita expõe contradição dos EUA na questão nuclear
Acordo com Arábia Saudita expõe contradição dos EUA na questão nuclear

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Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, um acordo de cooperação nuclear entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita seria assinado com duração de décadas, envolvendo investimentos bilionários, e ainda não está integralmente divulgado, dependendo da avaliação do Congresso dos EUA.

Crédito: Francisco Carlos Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal

O acordo é apresentado como um marco estratégico, mas contrasta com a tradição estadunidense de restringir ou monitorar fortemente programas nucleares de aliados, levantando dúvidas sobre a possibilidade de enriquecimento de urânio sob supervisão internacional, mesmo que a narrativa oficial seja a de uso pacífico.

Crédito: Arquivo Pessoal

O tema ganhou destaque internacional após críticas de Israel, e o ex-presidente Donald Trump afirmou, em redes sociais, que a parceria estaria condicionada à assinatura dos acordos de Abraão pelos sauditas, o que colocaria em xeque o futuro do acordo nuclear entre Washington e Riade.

Sinal de tensão no Oriente Médio

O acordo acontece em um momento de escalada militar no Oriente Médio. Segundo a cobertura, a negociação surge poucos dias após ataques e bloqueios que afetam o comércio regional, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, relevante para as exportações sauditas pelo Mar Vermelho.

O professor Roberto Goulart Menezes, da UnB, apontou à Agência Brasil que, embora a Arábia Saudita tenha assinado o Acordo de Não Proliferação, a parceria com os EUA envia um sinal contraditório para a região. Ele afirmou que a etapa atual pode abrir espaço para interesses futuros diferentes do objetivo pacífico declarado.

“É alarmante porque, embora haja um compromisso para enriquecer o urânio para fins pacíficos, o fato é que, na trajetória do programa nuclear da Arábia Saudita, pode haver outros interesses no futuro que sejam diferentes do ponto de partida. Isso aumenta as incertezas na região”, destacou Menezes.

A cooperação também contrasta com a posição da Coreia do Sul, que busca ampliar o enriquecimento de urânio em parceria com os EUA para fins de defesa, enquanto a Arábia Saudita iria pela via de um caminho ainda não definitivo, levantando questões sobre tratamento desigual entre aliados. O correspondente do The New York Times em Seul, Choe Sang-Hun, descreveu o acordo como um possível “padrão duplo” na política nuclear americana.

As negociações entre EUA e Arábia Saudita começaram em 2008, com avanços limitados. Em 2020, o GAO (Escritório de Prestação de Contas dos EUA) informou que não havia progressos significativos em relação a condições de não proliferação, incluindo um Protocolo Adicional e restrições a enriquecimento e reprocessamento. A evolução recente surge após episódios que geraram forte pressão internacional, inclusive a morte de Jamal Khashoggi no consulado saudita, em Istambul, e as repercussões diplomáticas que se seguiram.

Crédito: Saudi News Agency/Reuters via Agência Brasil

Conforme informações obtidas junto a especialistas, inclusive destacados pela imprensa internacional, o acordo pode sinalizar um movimento estratégico para preservar interesses de segurança regional ao mesmo tempo em que levanta dúvidas sobre a implementação prática de controles de proliferação, especialmente diante de controvérsias passadas envolvendo a Arábia Saudita e o assassinato de Jamal Khashoggi.

Segundo o The New York Times, a diferença entre a postura em relação à Coreia do Sul—que já opera dezenas de reatores—e a possível concessão de capacidades para Riade acende críticas sobre o tratamento desigual na política nuclear americana, alimentando debates sobre equilíbrio de poder na região.

O anúncio ocorre em meio a uma conjuntura de tensões regionais acentuadas, incluindo bloqueios marítimos que afetam o abastecimento saudita. A conclusão do acordo depende de avaliações diplomáticas e da aprovação do Congresso, mantendo a narrativa de uso pacífico como requisito central, mas sob escrutínio rigoroso de aversões ao reforço de capacidades nucleares de aliados no Oriente Médio.

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