Chongqing, China, sedia a 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, reunindo especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países. A Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, acompanhou a cobertura, com viagem de cruzeiro pelo Yangtzé e visitas a sítios históricos. Debates destacaram a contribuição de cada rio para as civilizações e a necessidade de ampliar leituras históricas além do ocidente.
Chongqing, China — a 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé ocorreu nesta semana na cidade de Chongqing, reunindo especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países, incluindo Egito, Sérvia, Austrália, Reino Unido, México, Turquia e Coreia do Sul. A cidade, que abriga cerca de 32 milhões de habitantes, foi o palco dos debates sobre o papel dos grandes rios na formação das civilizações.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, o encontro também projetou a Rota Econômica do Rio Yangtzé, trajeto de aproximadamente 6,3 mil quilômetros que conecta o interior chinês ao porto de Xangai e é apresentado como um dos pilares da civilização milenar associada ao Yangtzé, ao lado do rio Amarelo.
Após mais de 33 horas de viagem de Brasília a Chongqing, a Agência Brasil acompanhou o Fórum deste ano, que contou com uma viagem de cruzeiro de cerca de 440 quilômetros pelo leito do Yangtzé, incluindo visitas a templos e fortalezas históricas, como a fortaleza de Shibaozhai e o templo de Zhang Fei.
Os estudiosos chineses argumentam que a origem do desenvolvimento humano ao redor do Yangtzé tem sido subestimada pela historiografia ocidental, apontando que pesquisas locais vêm revelando dados sobre a agricultura e a ocupação humana na região há quase dez mil anos, o que inspira novas leituras sobre as civilizações fluviais.
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Crédito: CHONGQING DAILY/Divulgação
Resumo: Encontro internacional sobre água reuniu especialistas do Egito e da China para debater governança de rios e cooperação transnacional. Li Guoqiang defende equilíbrio entre desenvolvimento econômico e ecologia no Yangtzé; egípcios apresentaram o modelo de mediação das águas do Nilo. China institucionalizou a “civilização ecológica” como prioridade desde 2012 e, em 2018, passou a constar na Constituição. Debate também aborda biodiversidade do Yangtzé, incluindo a extinção do golfinho Baiji.
Um encontro internacional sobre água, realizado na China, reuniu especialistas do Egito e da China para debater governança de rios e cooperação transnacional. O destaque ficou para Li Guoqiang, professor do Instituto de História e membro do Conselho da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), e para uma delegação egípcia que apresentou o modelo de mediação das águas do Nilo. O objetivo foi discutir mecanismos de proteção de rios e comunidades dependentes deles.
Segundo especialistas egípcios, o modelo de mediação das águas do Nilo serve para antecipar secas e enchentes, contribuindo para a gestão compartilhada de recursos hídricos entre nações. Alaa Hussein Mahmoud Menshawy, da Faculdade de Arqueologia da Universidade de Luxor, ressaltou a importância desse intercâmbio cultural.
Sobre o Yangtzé, Li Guoqiang reconheceu que o desenvolvimento econômico da China, nas últimas cinco décadas, provocou impactos ambientais, incluindo a extinção do único golfinho de água doce no mundo, o Baiji, em 2006. Ele citou a adoção de uma abordagem que privilegia a proteção ambiental sem abrir mão do crescimento econômico, resumida na teoria das duas montanhas:
No processo de desenvolvimento contemporâneo, damos mais atenção ao ambiente ecológico porque temos uma concepção: a teoria das duas montanhas, que busca prioridade ecológica e desenvolvimento econômico.
O encontro ressaltou, ainda, a postura da China diante da biodiversidade do Yangtzé. Entre as medidas mencionadas estão a proibição da pesca profissional há dez anos e projetos de recuperação do rio. A relevância da ideia de um equilíbrio entre crescimento econômico e proteção ambiental foi destacada pelos participantes.
O debate também abordou a política de civilização ecológica adotada pela China. Segundo o discurso apresentado, o país passou a tratar o tema como prioridade nacional em 2012 e, em 2018, incorporou a defesa ambiental à Constituição, consolidando-a como uma política de Estado permanente.
Especialistas ressaltaram a importância da cooperação internacional para proteger rios e comunidades que deles dependem, enfatizando que compartilhar conhecimentos pode aprimorar estratégias de preservação.
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Crédito: Lucas Pordeus León/Agência Brasil
Rio Yangtzé encontra o Amazonas: documentário sino-brasileiro em produção envolve comunidades ribeirinhas
Resumo: Documentário transnacional sobre povos ribeirinhos do Amazonas, em produção entre Brasil e China.
Produzido pela Bridging News/WCICO, o projeto intitulado “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas” reunirá relatos de chineses e brasileiros.
Pesquisadores brasileiros (INPA, Unialfa) discutem conservação e caminhos intermediários entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental.
Repórter viajou a convite do CPC (Chongqing) e da CASS; informações da Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.
Rio Yangtzé, China – uma equipe da Bridging News, braço da mídia estatal chinesa que opera o Centro Internacional de Comunicação do Oeste da China (WCICO), chegou ao Brasil para gravar um documentário ainda sem data de estreia, intitulado “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”. A produção visa contar histórias de povos ribeirinhos amazônicos e chineses, conforme informações repassadas à Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.
A produtora Vivian Yan, da Bridging News, disse à Agência Brasil que a diversidade de pessoas e comunidades no Amazonas chamou a atenção da equipe.
“Conhecê-las me fez perceber que o Rio Amazonas é muito mais vibrante e multifacetado do que aquilo que eu havia visto na televisão. Me mostrou o quão estreitamente o cotidiano delas está ligado ao rio e ao meio ambiente ao redor”, afirmou a diretora da Bridging News, que controla o WCICO.
A pesquisadora Vera Maria, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), disse à Agência Brasil que o Brasil pode aprender com a experiência chinesa para evitar erros e minimizar impactos ambientais na exploração econômica da Amazônia. “Não adianta trazer o modelo econômico de Minas, de Goiás ou de São Paulo para a Amazônia porque não vai funcionar. Espero que a gente não chegue também a um ponto extremo de destruição para poder correr atrás do prejuízo”, completou.
Para Vera Maria, é preciso aprender com os povos indígenas amazônicos e apostar em economias que contribuam para manter a floresta em pé, evitando atividades como a dragagem de rios.
“A extração ou o cultivo e o uso de plantas amazônicas, como açaí ou a castanha-do-Brasil e outros produtos, estão gerando recursos tão grandes quanto os de outras atividades que levam à destruição da floresta”
“Qualquer atividade humana causa impacto ambiental. Agora, você deixar uma grande parte da população local na miséria também é um impacto socioambiental não desejável. Contraditoriamente, a Amazônia é a região do país que tem mais água, mas é onde mais se utiliza diesel para geração de energia”, ponderou.
Repórter viajou a convite do Comitê Municipal do Partido Comunista Chinês (CPC) em Chongqing e da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).

