O deputado italiano Angelo Bonelli afirmou nesta quarta-feira (22) que o paradeiro atual da ex-parlamentar brasileira Carla Zambelli (PL) é desconhecido. A última aparição pública relatada ocorreu em uma igreja de Roma, durante um encontro de apoio a ela. Bonelli já havia informado às autoridades italianas, no ano passado, o endereço de Zambelli, episódio que resultou na prisão da ex-deputada pela Interpol.
De acordo com informações citadas pelo jornal O Globo, Bonelli esteve reunido na Câmara Municipal de São Paulo e avaliou o caso, reforçando que Zambelli estaria aguardando o desfecho das eleições presidenciais brasileiras, previstas para outubro. Em sua visão, uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia abrir espaço para uma eventual anistia a pessoas com processos judiciais no país.
Bonelli também criticou a postura de Zambelli diante das determinações judiciais brasileiras, afirmando que fugir da Justiça não é atitude correta, sobretudo para alguém com responsabilidade pública. A última aparição confirmada ocorreu no dia 11 de julho, em um culto promovido pelo grupo evangélico brasileiro Patriotas em Roma, no qual a ex-deputada orou pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por condenados pelos consecutivos atos de 8 de janeiro de 2023.
O discurso relacionado ao evento foi divulgado nas redes sociais pelo perfil do grupo religioso, bem como por Rita Zambelli, mãe de Carla, pré-candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo, que descreveu a ocasião como um “Culto em Ação de Graça” dedicado à liberdade da ex-parlamentar.
SITUAÇÃO JURÍDICA: No fim de maio, a Corte de Cassação da Itália revogou a decisão que autorizava a extradição e concedeu liberdade a Zambelli. A medida ocorreu na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF brasileiro, determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem providências para efetivar o processo de extradição.
A defesa sustenta que a decisão da Cassação abrange os dois pedidos de extradição, incluindo a segunda condenação da ex-deputada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal — todas originadas em processos do STF. A ex-parlamentar deixou o Brasil em maio do ano passado, passou pela Argentina e os Estados Unidos antes de se estabelecer na Itália, onde possui cidadania. Dois meses após chegar ao país europeu, foi presa e manifestou desejo de ser julgada na Itália. Em dezembro, a Câmara dos Deputados deixou de cassá-la, mas o STF anulou essa votação e cassou diretamente o mandato por conta da condenação à prisão.
Enquanto o processo de extradição tramitava na Itália, Zambelli permaneceu detida na Penitenciária Feminina de Rebibbia, em Roma, conforme decisão da Justiça italiana, que identificou risco de fuga. Caso a extradição se torne efetiva, o governo brasileiro informou que ela deverá cumprir a pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, popularmente conhecida como Colmeia.
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