Resumo rápido: o Senado encerrou o semestre em meio a tensões entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e o governo Lula, com derrotas para o Planalto, atrasos de pautas de forte apelo popular e avanços de matérias com impactante custo público.
O episódio central desse embate foi a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. O governo tentou articular apoio atrasando o envio da documentação até 1º de abril; Messias foi aprovado na CCJ, mas perdeu no plenário em 29 de abril. Alcolumbre atuou ativamente, ligando para aliados, e seu microfone captou o momento em que disse: “Ele vai perder por oito”.
Essa derrota sinalizou uma mudança na relação entre o Legislativo e o Executivo, aproximando Alcolumbre da oposição, especialmente do senador Flávio Bolsonaro. No dia seguinte, o Senado derrubou o veto presidencial à dosimetria, com 318 x 144 na Câmara e 49 x 24 no Senado.
A sessão conjunta do Congresso, marcada para 18 de junho para analisar cerca de 50 vetos, foi cancelada devido à falta de consenso entre as lideranças, mostrando o nível de impasse entre as casas.
VEJA EM NÚMEROS Em termos operacionais, o semestre fechou com: 258 matérias deliberadas; 206 propostas aprovadas (106 em plenário e 100 em comissões); 1 matéria rejeitada; 50 propostas prejudicadas ou com medidas provisórias expiradas; 107 sessões realizadas (sendo 38 deliberativas); e 38 indicações de autoridades aprovadas.
PROPOSTAS E EMPASSES No campo da agenda de reeleição de Lula, o ritmo permaneceu travado, com as matérias mais relevantes paralisadas: as PECs da Segurança Pública e do fim da escala de trabalho 6×1, além do Projeto de Lei dos Minerais Críticos.
A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara no fim de maio, mas segue parada no Senado. Alcolumbre disse que a Casa precisa de tempo “razoável” para análise e ressaltou que o Senado não pode ser apenas carimbador de decisões da Câmara, prometendo ouvir empresários e sindicalistas antes de enviar a matéria à CCJ.
Pautas fiscais O governo também ganhou e perdeu nesse cenário, com o avanço das chamadas pautas-bomba no Senado. Em junho, três propostas caminharam com impacto estimado de R$ 250 bilhões em dez anos: renegociação de dívidas rurais, reajuste do piso de médicos e dentistas e a aposentadoria especial para agentes de saúde. Alcolumbre rejeitou o rótulo de “homem das pautas-bomba” e afirmou que os resultados decorrem de acordos prévios entre lideranças.
Foto: Reprodução / Agência Brasil
Nos bastidores, as opiniões sobre os próximos passos da relação com Alcolumbre divergem. Um campo aposta que ele pode destravar propostas cruciais, como a escala 6×1, no próximo ciclo para recompor pontes com o Planalto. Outro grupo sustenta que o Senado precisa de gestos políticos concretos para, de fato, sinalizar a pacificação entre Executivo e Legislativo.
E você, o que acha que deve acontecer a seguir? compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre o equilíbrio entre Congresso e governo.
