O Iphan aponta falhas graves na Igreja e Mosteiro de São Bento, em Salvador, com danos estruturais e de conservação que colocam em risco o patrimônio tombado desde 1938. Interditado pela Defesa Civil desde 2025, o conjunto permanece sob vigilância enquanto tramita processo administrativo. Segundo apuração do parceiro do Bahia Notícias, as irregularidades decorrem da ausência de intervenções de manutenção e restauração no imóvel, marco da arquitetura barroca na capital baiana.
O levantamento técnico realizado em junho identificou danos em três frentes: infiltrações e oxidação em estruturas, atuação de cupins e fissuras. O relatório, assinado pela servidora Monalisa Macedo e protocolado em 7 de julho, detalha ainda falhas no telhado, telhas danificadas e acúmulo de limo, provocando deterioração de forros, madeiras e estruturas de concreto armado.
Para o Iphan, o cenário viola o artigo 17 da Lei do Tombamento, que protege o patrimônio histórico sem autorizações prévias para reparos. O texto também prevê multa de até 50% do dano caso haja descaracterização do bem tombado. A interdição, já confirmada pela Codesal em fevereiro de 2025, levou o órgão a encaminhar um ofício à Ordem beneditina de Salvador, solicitando manifestação em até 15 dias, sob pena de prosseguimento do processo de fiscalização.
O mosteiro, cuja construção inicial data do século XVI, ganhou relevância histórica por abrigar uma das primeiras bibliotecas monásticas das Américas, com acervo que inclui documentos raros entre 1500 e 1503. A instituição, administrada pela Ordem de São Bento na Bahia, celebra mais de quatro séculos de história, sendo reconhecida em 1938 como patrimônio histórico e cultural do Brasil.
Este caso evidencia os desafios de preservar um patrimônio vivo, cuja biblioteca e o conjunto arquitetônico dependem de intervenções rápidas e efetivas para evitar perdas irreversíveis. Acompanhe os desdobramentos e participe: você acredita que as medidas adotadas até agora são suficientes para proteger esse patrimônio de valor nacional e internacional? Deixe sua opinião nos comentários.


