“Ninguém julga”: o grupo que ajuda a vencer o vício em jogos

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Minas Gerais

Encontro de Jogadores Anônimos em BH reúne jovens e adultos para discutir a dependência de apostas

Belo Horizonte recebeu uma reportagem sobre o encontro dos Jogadores Anônimos, movimento que atua no combate à dependência de apostas. A matéria acompanha relatos de jovens e adultos na busca por retomar o controle da vida, além de mostrar como o grupo oferece apoio, sem julgamentos, para quem chega pela primeira vez.

No encontro nº 2.542, a sede da Abraço ficou cheia: 48 participantes de várias idades, com predomínio de jovens adultos. A maioria era homens, mas havia mulheres em situação semelhante. O que começou em tempos de bingo e caça-níqueis ganhou força com cassinos e apostas online, especialmente após a pandemia, ampliando o alcance do problema.

As reuniões seguem o modelo dos 12 Passos, adaptado do AA para os Jogadores Anônimos (JA). O ponto alto são as “palavras francas”: depoimentos que ajudam quem chega a entender que não está sozinho e que é possível viver um dia de cada vez sem levar a jogatina adiante.

Entre as regras, o grupo usa os “chaveiros” como estímulo: 30 dias sem apostar garantem o primeiro, 60 dias o segundo, 90, 180, nove meses e um ano. A cada conquista, o elo entre os participantes se fortalece. Se houver recaída, todos os chaveiros são devolvidos e a pessoa retorna, sem julgamentos, para recomeçar.

O chamado “grupo do fundão” nasceu da aproximação de jovens com problemas parecidos. O objetivo é manter o apoio constante, para que todos permaneçam firmes no propósito de abandonar as apostas e reconstruir a relação com o dinheiro e com o vício.

Especialistas veem a dependência de jogos como transtorno de saúde mental ligado ao comportamento aditivo. Embora não seja uma doença, ela tem tratamento, com mecanismos semelhantes aos da dependência de álcool e outras drogas, especialmente pela dopamina envolvida na sensação de prazer e recompensa. O que difere é que o jogo afeta, sobretudo, circuitos de controle de impulsos e tomada de decisão.

Dados recentes destacam o peso do problema na prática: relatos indicam quase 976 dias de afastamento do trabalho em 37 casos ligados a transtornos de apostas, com picos de 89 dias de ausência. As estatísticas têm mostrado alta e crescente, ressaltando a necessidade de redes de apoio e tratamento.

Quem busca ajuda pode procurar o SUS, por meio das UBSs e CAPS. Em Belo Horizonte, as reuniões dos JA ocorrem gratuitamente na sede da Abraço, na Avenida do Contorno, 4.777, Funcionários, às terças e quintas-feiras, das 19h às 21h15; não é necessário se inscrever — basta comparecer.

Se você se identifica com essa história ou conhece alguém que enfrenta esse desafio, conte nos comentários como tem buscado apoio ou compartilhado estratégias para seguir em frente. Vamos trocar experiências e fortalecer uns aos outros na luta contra a dependência de apostas.

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