Em meio a tensões entre EUA e Irã, o Estreito de Bab el-Mandeb surge como potencial alvo de bloqueio, com o apoio dos Houthis do Iêmen. A iniciativa poderia interromper uma via marítima crucial para o comércio mundial, impactando cadeias de suprimentos, preços de energia e fretes, ainda que o Brasil de modo direto enfrente impactos limitados.
O Estreito de Bab el-Mandeb, com cerca de 32 km de largura, liga o Oceano Índico ao Mar Vermelho, conectando Ásia, África e o Canal de Suez. Por ali passam aproximadamente 12% do comércio marítimo global, 25% do fluxo de contêineres, entre 10% e 12% do petróleo mundial e 8% do gás natural liquefeito (GNL).
Segundo o economist Rodrigo Provazzi, o estreito é “um dos principais pontos de estrangulamento logístico do planeta” e sua interrupção não afetaria apenas o fluxo de energia, mas cadeias globais de suprimentos inteiras. O risco, conforme ele explicou ao Metrópoles, reside no efeito dominó sobre prazos, custos de transporte e margens empresariais.
Os Houthis, grupo armado do Iêmen, seriam parte de um possível bloqueio, apoiados pela aliança regional conhecida como Eixo da Resistência. Especialistas destacam que drones, minas navais e mísseis de cruzeiro poderiam atuar no ponto mais estreito da rota, tornando o seguro de transporte de contêineres inviável em alguns trechos críticos.
Impacto global: Medina, professor da Unifesp, lembra que o Bab el-Mandeb é a terceira passagem marítima mais importante para o fluxo comercial internacional. Embora o Brasil não dependa diretamente dessa rota, o fechamento encorajaria pressões inflacionárias envolvendo combustíveis, fretes e itens importados da Ásia e da Europa. Em suas palavras, o risco para o país é de maior volatilidade de custos, prazos e incerteza geopolítica, com impactos em cadeias de suprimento e margens empresariais.
Guerra EUA-Irã: em 28 de fevereiro, o conflito teve início após ataques de EUA e Israel que, segundo relatos, ceifaram o líder supremo do Irã. Em retaliação, a Guarda Revolucionária Islâmica fechou o Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo global. Em 17 de junho, houve acordo preliminar com trégua de 60 dias para discutir um fim definitivo do confronto e uma reabertura gradual do Ormuz, mas em 8 de junho novos ataques reacenderam a tensão. Trump declarou o fim do cessar-fogo, e respostas iranianas atingiram bases militares dos EUA no Oriente Médio. Os EUA retomaram ações navais contra navios ligados ao Irã, enquanto o Irã reiterou a soberania sobre as vias marítimas.
Impacto na economia global: o estreito é vital para a saída sul do canal de Suez e, embora o Brasil não dependa diretamente, um fechamento geraria ondas de choque em preços de petróleo, combustíveis de aviação, fretes e itens manufaturados, com efeitos sobre a inflação global e as margens de empresas com cadeias internacionais.
O leitor é convidado a acompanhar os desdobramentos e compartilhar suas perspectivas sobre como esse embate entre potências pode alterar o cenário econômico mundial e, indiretamente, a vida econômica do Brasil. Comente abaixo suas perguntas, comentários ou previsões sobre o que pode acontecer nos próximos dias e semanas.




