Farra do INSS: investigação aponta desvio bilionário envolvendo a Conafer
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal, a chamada Farra do INSS envolve o desvio de benefícios de idosos e povos indígenas vulneráveis por meio de uma rede de empresas de fachada associadas à Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A apuração aponta operações em Brasília (DF), com atuação também em São Paulo, principalmente em Presidente Prudente, e registros de atividades que se estenderam desde o fim de 2023. O Ministério Público e a Polícia Federal investigam o esquema, que culminou em demissões no INSS com a deflagração da operação Sem Desconto.
Em Brasília, as empresas envolvidas operavam em salas de cerca de 20 metros quadrados, em um sobrado que respondia por endereços de outros oito CNPJs vinculados a Lucineide dos Santos Oliveira e a dois integrantes da Conafer, Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior e Cícero Marcelino Santos. A PF aponta que essas companhias lavaram mais de R$ 304 milhões do total desviado do INSS, com recursos destinados às compras de bens/apliques de luxo, conforme mostra o material investigativo.
Boa parte dos veículos adquiridos no esquema ficou armazenada em um galpão em Presidente Prudente (SP), onde a Polícia Federal encontrou aproximadamente 40 carros, funcionando como um centro logístico da operação criminosa.
Confira abaixo os valores estimados de alguns dos carros de alto padrão apontados na investigação:
- Porsche 718 Boxster: R$ 775 mil;
- Audi RS4 Avant: R$ 749 mil;
- BMW X5: R$ 865 mil;
- Ford Mustang: R$ 650 mil;
- Land Rover Defender: R$ 845 mil;
- Chevrolet Camaro: R$ 510 mil;
- Toyota Hilux SW4: R$ 464 mil;
- Pajero Sport: R$ 350 mil;
- BYD Shark: R$ 345 mil;
- Mitsubishi Triton Sport: R$ 265 mil.
Historicamente, a Farra do INSS ganhou notoriedade a partir de reportagens do Metrópoles, divulgadas desde dezembro de 2023. Na sequência, a apuração revelou que as entidades cobravam mensalidades de aposentados em benefício de uma rede de associações, elevando a arrecadação para quase R$ 2 bilhões em um ano e movendo milhares de processos por fraude. As investigações levaram à abertura de inquérito pela PF e alimentaram apurações da CGU. Ao todo, a PF relacionou 38 matérias do portal à operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, que resultou na demissão do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.
As autoridades destacam que as investigações permanecem em curso e que novos desdobramentos podem surgir. As informações, segundo o que foi divulgado pelo Metrópoles, reforçam a necessidade de acompanhamento institucional constante para assegurar a transparência e a responsabilização dos envolvidos.
