Tarifaço dos EUA começa nesta 4ª (22/7). Veja itens taxados e isentos

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EUA aplicam sobretaxa de 25% a importações brasileiras; 2,1 mil itens ficam isentos

Medida entra em vigor e inclui regras de transição; Brasil avalia Lei da Reciprocidade e prepara possíveis ações.

A sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras entrou em vigor nesta quarta-feira, às 1h01 (horário de Brasília), conforme anúncio do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A decisão encerra uma investigação iniciada sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e afeta diversos setores da pauta brasileira, incluindo agropecuária, mineração, tecnologia e bens de consumo.

Segundo informações divulgadas pelo governo norte-americano, a sobretaxa busca punir práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas associadas ao Pix. A cobrança visa, segundo o governo dos EUA, proteger a economia interna e evitar rupturas em cadeias de suprimentos estratégicas.

Haverá uma regra de transição: mercadorias embarcadas até 29 de julho poderão chegar aos EUA sem a cobrança adicional, desde que cheguem ao país até essa data. Produtos enviados após esse prazo deverão pagar a sobretaxa de 25%, além das alíquotas já existentes.

Apesar do endurecimento, o governo americano deixou fora da sobretaxa mais de 2,1 mil produtos, com o objetivo de mitigar danos à economia dos EUA e evitar interrupções em cadeias de suprimentos consideradas relevantes para o consumo interno.

Isentos da sobretaxa

Agropecuária

  • Carne bovina (cortes frescos, refrigerados, congelados e processados);
  • Café em grão, torrado e solúvel;
  • Laranja, suco congelado e suco não congelado;
  • Frutas como maçã, banana, abacaxi, goiaba, manga e melão;
  • Mel orgânico, peixes e crustáceos.

Mineração e energia

  • Petróleo bruto e derivados;
  • Ferro-gusa e sucata de aço;
  • Hidróxido de alumínio;
  • Minério de ferro, níobio, grafite, caulim e gás natural.

Tecnologia, indústria e saúde

  • Aviões, helicópteros, drones, motores e peças para aeronaves;
  • Computadores, notebooks, celulares, monitores e semicondutores;
  • Vacinas, insulina, antibióticos, plasma e insumos farmacêuticos;
  • Fertilizantes, ureia e sulfato de amônio.

Produtos que continuarão sob tarifa de 25%

  • Biocombustíveis e químicos — Etanol de cana-de-açúcar; outros biocombustíveis; celulose branqueada (exceto categorias isentas).
  • Indústria pesada — Aço e alumínio semiacabados; máquinas agrícolas; equipamentos de mineração; transformadores elétricos de grande porte.
  • Bens de consumo — Calçados; móveis de madeira; pisos, revestimentos e rochas ornamentais; vestuário, tecidos e peças de roupa.

Reação brasileira

Em abril de 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em julho. A norma autoriza o governo a adotar contramedidas diante de barreiras comerciais consideradas prejudiciais. Após o anúncio do novo tarifão, o Planalto indicou que não deve aderir a retaliação, ainda que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tenha destacado a necessidade de cautela e afirmou que a lei pode orientar futuras ações do Brasil. “Foi aprovada a Lei da Reciprocidade por unanimidade. A ideia não é retaliação. Olho por olho, pode acontecer de os dois ficarem cegos”, disse ele, após reunião com setores exportadores.

O governo federal estima que o tarifa­ção atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA, representando aproximadamente US$ 7,4 bilhões em 2024. Para mitigar impactos, o governo sinalizou a preparação de um programa de apoio aos setores mais atingados.

Convidamos leitores a acompanhar os desdobramentos deste tema e a participar da discussão nos comentários sobre as medidas e seus efeitos para a economia brasileira.


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