Troca de taças: ex de PM morto pediu para trocar calcinha ao ser presa

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Helen Kelly é presa pela morte de cabo da PM em Recife; investigação aponta possível participação em episódio ligado ao caso

José Maria Alexandre da Silva Júnior
Reprodução

Helen Kelly de Lima Pedrosa, 45 anos, foi presa nesta quarta-feira (22/7) no âmbito de investigação sobre a morte do cabo da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) José Maria Alexandre da Silva Júnior, 40 anos, ocorrida em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Durante a operação, a suspeita foi até o quarto andar do prédio e se jogou pela janela do apartamento.

A mulher foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital da Restauração, onde permanece internada sob escolta policial. O estado de saúde não foi oficialmente divulgado, mas a coluna apurou que é grave.

O advogado Rafael Nunes, que representa Helen, afirmou que ainda não conversou com a cliente e que a versão da dinâmica da queda já divulgada pela delegacia — com gravado suposto momento — é a que está de conhecimento público até o momento.

Além disso, a defesa informou não ter ainda acesso integral aos fundamentos da decisão judicial que resultou na prisão. Na época do fato, a defesa afirmou que Helen havia colocado o apartamento à venda um dia depois do ocorrido, o que a polícia entendeu como possibilidade de fuga; entretanto, segundo a defesa, não há elementos que a coloquem no cenário como acusada.

Investigação As informações sobre a morte de José Maria foram registradas em 11 de junho, quando o cabo passou mal dentro do apartamento da ex-companheira, no bairro de Boa Viagem. Documentos obtidos pela coluna na época mostravam que Helen havia conseguido uma medida protetiva contra o policial após relatos de agressões físicas, perseguição e comportamento possessivo.

Algumas mensagens indicavam que José Maria pressionava a ex-companheira para retirar a medida judicial e retomar o relacionamento. Em uma delas, ele escreveu: “Eu sei que você ainda está sozinha. Coisa boa pode não acontecer. O que você vai perder eu não sei. Mas você vai perder. Tire as medidas na moral.”

Segundo depoimento de Helen, o casal havia decidido encerrar definitivamente o relacionamento poucos dias antes da morte, mas continuaram mantendo contato e voltaram a se encontrar na noite do ocorrido. Conforme relatos da investigação, José Maria chegou ao apartamento depois do expediente, autorizado a entrar pela própria ex-companheira, mesmo com a medida protetiva vigente.

Durante a madrugada e parte da manhã, os dois teriam consumido energéticos, e, nesse período, ocorreu a suposta troca de taças, um dos pontos centrais da apuração. A defesa afirma que as taças utilizadas eram identificadas porque Helen alugava quartos no imóvel; a versão é de que, ao retornar da cozinha após buscar gelo, percebeu que os copos haviam sido trocados e, desconfiada, reconfigurou as posições das taças enquanto José Maria estava na varanda.

Horas depois, José Maria começou a passar mal. Testemunhas relatam espuma na boca e lábios arroxeados; equipes da PM foram acionadas, mas o óbito foi constatado no local. As taças e amostras das bebidas foram apreendidas para perícia. Os exames toxicológicos não indicaram a presença de substâncias entorpecentes, mas não esclareceram a causa da morte.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE).

Crédito: Reprodução

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