Bahia reúne 180 mulheres na Fonte Nova em manifesto contra violência doméstica

Escrito por: Diógenes Cunha

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  • A Arena Fonte Nova, em Salvador, recebeu 180 mulheres após Bahia x Internacional, em ação da campanha Terceiro Tempo contra violência doméstica em dias de jogo.
  • As participantes representam o Ligue 180, serviço de atendimento a mulheres em situação de violência, durante ações do Agosto Lilás.
  • Dados do 2º estudo Futebol e Violência contra a Mulher, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam aumento de violência em dias de jogos (2026), com maior impacto em mulheres de 15 a 29 anos.

Arena Fonte Nova, Salvador — Depois do apito final do jogo Bahia x Internacional, na noite deste domingo (30), o estádio esvaziou, mas 180 mulheres permaneceram nas arquibancadas. A permanência integrou a campanha Terceiro Tempo, ação criada para chamar atenção para o aumento da violência doméstica contra mulheres em dias de jogos de futebol.

A iniciativa foi promovida pelo Esporte Clube Bahia SAF em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a Propeg, dentro das ações do Agosto Lilás, mês de conscientização sobre violência contra a mulher.

Influenciadoras, torcedoras, colaboradoras do Bahia e outras convidadas permaneceram no setor Leste do estádio mesmo após a saída de jogadores e público.

Acima delas, o letreiro da Fonte Nova exibiu a mensagem: “Hoje, ficar no estádio é mais seguro do que em casa”.

O número de participantes também fez parte da campanha. As 180 mulheres representam o Ligue 180, serviço de atendimento a mulheres em situação de violência, responsável por receber denúncias e oferecer orientações em todo o país.

A campanha foi desenvolvida a partir dos dados da segunda edição do estudo “Futebol e Violência contra a Mulher”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com o levantamento de 2026, os registros de ameaça contra mulheres aumentam 27,4% em dias de jogos, enquanto as ocorrências de lesão corporal relacionadas à violência doméstica crescem 28,8%.

Entre mulheres de 15 a 29 anos, o impacto é ainda maior: o estudo aponta um aumento de 44% nesses indicadores nos dias de partidas.

A pesquisa ressalta que o futebol não é apontado como causa da violência, mas atua como contexto capaz de potencializar situações já presentes em ambientes domésticos.

Sabrina Mesquita, diretora de criação da Propeg, disse que a proposta também busca levar o debate para um espaço historicamente ocupado por homens.

“O dado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o problema ultrapassa as arquibancadas e chega dentro de casa. Com o Terceiro Tempo, queremos tornar essa realidade visível e levar essa conversa para dentro de um território majoritariamente masculino e falar diretamente com os homens, no espaço em que eles estão e se reconhecem”, afirmou.

O CEO do Bahia SAF, Raul Aguirre, informou que o clube pretende usar o alcance do futebol para ampliar discussões sobre questões sociais, ressaltando a responsabilidade de mobilizar a sociedade em torno de temas urgentes. Ao ocuparmos a arquibancada com 180 mulheres, o Bahia SAF busca transformar um espaço de paixão pelo futebol em um símbolo de conscientização.

Resumo: UNFPA Brasil lança iniciativa que usa o futebol para prevenir a violência de gênero, envolvendo homens e meninos. Declarações de Florbela Fernandes destacam a importância do envolvimento masculino. A ação acompanha recomendações do Fórum Brasileiro de Segurança Pública para engajar clubes, federações, poder público e torcidas.

Brasil — O UNFPA no Brasil revelou uma iniciativa que vincula a prevenção da violência de gênero ao futebol, com o objetivo de mobilizar clubes, federações, poder público e torcidas. A campanha busca transformar o esporte em uma ferramenta de proteção e empoderamento, estimulando a participação de diferentes setores da sociedade. Flor­bela Fernandes, representante do UNFPA no Brasil, reforçou a importância de incluir homens e meninos nas estratégias de prevenção. “O futebol tem o poder de reunir milhões de pessoas, ele também pode ser uma ferramenta para promover respeito, proteção e transformação social”, afirmou.

A ação também enfatiza que campanhas desse tipo precisam dialogar com a sociedade como um todo, não ficando apenas no âmbito institucional. Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta a criação de ações permanentes com a participação de clubes, federações, poder público e torcidas, como parte de uma trajetória de prevenção mais eficaz.

De acordo com a liderança do UNFPA no país, a estratégia busca transformar normas sociais que naturalizam a violência, ampliando modelos de masculinidade baseados no respeito, no cuidado e na igualdade. “Precisamos transformar normas sociais que naturalizam a violência e ampliar modelos de masculinidade baseados no respeito, no cuidado e na igualdade”, destacou Fernandes.

A visão é que o futebol funcione como espaço de engajamento de diversos atores sociais, promovendo ações permanentes de enfrentamento à violência contra as mulheres. Parcerias como esta demonstram que a agenda pode (e deve) ocupar diferentes espaços da sociedade, fortalecendo o conceito de esporte como instrumento de transformação social.

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