Defensoria visita Pedra de Xangô e ouve comunidade sobre abandono do parque em Salvador

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo

Defensoria Pública da Bahia realiza escuta ativa no Parque Pedra de Xangô, Cajazeiras, Salvador, com a comunidade de terreiros afetada.

Relatos apontam abandono, com segurança deficiente, iluminação precária e esgoto a céu aberto.

Participantes incluem Monica Antonieta, Tamikuã Pataxó e Yá Dialá; Defensoria planeja encaminhamentos às autoridades.

Objetivo: mapear violações de racismo religioso e viabilizar intervenções pelas autoridades.

Palavras-chave: Defensoria Pública, Ouvidoria Cidadania, NER, racismo religioso, Pedra de Xangô, Cajazeiras, Salvador

Parque Pedra de Xangô, Cajazeiras, Salvador — a Defensoria Pública do Estado da Bahia, por meio da Ouvidoria Cidadania e do Núcleo de Equidade Racial (NER), realizou uma escuta pública com a comunidade local e lideranças dos terreiros diretamente afetados pelas más condições do espaço. O encontro ocorreu na última quinta-feira, dia 27, para ouvir relatos, entender a situação no local e mapear ações a serem adotadas pelas autoridades responsáveis.

Os depoimentos, colhidos em quase três horas, apontaram a sensação de abandono do espaço, com problemas como falta de segurança, iluminação precária e esgoto a céu aberto. Participaram a coordenadora do NER, Monica Antonieta, a ouvidora-geral, Tamikuã Pataxó, a ouvidora-adjunta, Tiffany Odara, além de servidoras da Ouvidoria e do NER, e da comunidade.

“Isso aqui não era para estar do jeito que está. Essa pedra pode emborcar qualquer dia. Eu peço por Deus, pelos Orixás, por Xangô que nos ajude. Isso me dói. Eu não gosto nem mais de vir aqui, eu choro mesmo, eu sinto uma dor pelo descaso, pelo abandono”, afirmou Yá Dialá, matriarca da Pedra de Xangô.

A ideia de ir até o Parque nasceu de uma demanda encaminhada à Ouvidoria Cidadania durante um evento ocorrido há cerca de dois meses. Diante dos relatos, a Ouvidoria convidou o NER para conhecer o território, ouvir quem convive com os problemas no dia a dia e compreender, segundo a comunidade, quais violações e necessidades são mais urgentes. “Quando a gente pisa no território, a gente sente com a alma”, destacou Tamikuã Pataxó.

Segundo Monica Antonieta, coordenadora do NER, o objetivo é ouvir as demandas para orientar intervenções pontuais e estratégicas e verificar se existem violações que possam desencadear ações criminais ou já estejam sob investigação no âmbito do racismo religioso. “O povo de santo quer respeito, quer reconhecimento, quer dignidade”, afirmou ela.

Com base na escuta, a Defensoria Pública vai encaminhar encaminhamentos aos órgãos responsáveis pela manutenção, segurança, saneamento e preservação do espaço, buscando viabilizar melhorias e assegurar condições dignas para a comunidade que frequenta o parque.

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