Nesta quarta-feira, mercados globais reagiram ao anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de ampliar as operações de recompra de títulos de longo prazo, o que reduziu a pressão sobre as taxas de juros e elevou o apetite por ativos de risco. O dólar à vista fechou em R$ 5,177 (-0,86%), o Ibovespa registrou 167.830,27 pontos (+0,90%) e o DXY, que mede o peso do dólar frente a uma cesta de moedas, caiu para 98,793 pontos (-0,87%). Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, o movimento reflete a leitura de que maior demanda por títulos de longo prazo pode sustentar Treasuries e reduzir a volatilidade global.

Crédito: Agência Brasil / EBC

Crédito: Agência Brasil / EBC
Ato do Tesouro e consequências: a divulgação aponta que as operações de recompra de Treasuries com vencimentos entre 10 e 30 anos podem ser ampliadas. As operações estão previstas entre 9 de setembro e 4 de novembro, com volume de pelo menos US$ 4 bilhões por operação, ante o patamar anterior de US$ 2 bilhões. A medida é visto como forma de aliviar a pressão sobre a renda fixa dos EUA e, ao mesmo tempo, incentivar a busca por ativos de maior risco em economias desenvolvidas e emergentes.
Impacto nos mercados: com a redução dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, os fluxos globais passaram a buscar ativos considerados mais arriscados, elevando o apetite por ações e ativos de maior risco em diversos mercados, incluindo os emergentes. O refrão de investidores manteve-se de olho no quanto essa medida poderia desacelerar a alta de juros no curto prazo.
Ibovespa: o principal índice da bolsa brasileira avançou 0,90%, para 167.830,27 pontos, interrompendo uma sequência de 11 pregões sem ganhos — a sessão ainda observou momentos em que o índice superou os 170 mil pontos, antes de recuar. As altas foram puxadas por ações de peso, inclusive nos setores de petróleo, mineração e financeiro. Nos 11 pregões anteriores, o Ibovespa acumulava queda de 6,55%.
Ata do Fed: a ata da reunião de julho do Federal Reserve esteve no radar dos investidores, mas teve impacto limitado sobre o comportamento do dólar. O documento indica preocupação entre os dirigentes com a inflação, sinalizando uma postura monetária que pode permanecer contida no curto prazo, conforme avaliação de mercado. Ainda não houve mudança de tom represado que altere o cenário de curto prazo para a economia brasileira.
Em síntese, o comportamento dos mercados nesta sessão reflete a combinação entre a expectativa de liquidez adicional nos EUA, o alívio para títulos de longo prazo e a cautela inflacionária dispersa entre os bancos centrais, o que molda o humor de ativos de risco ao redor do mundo, incluindo o Ibovespa.
Resumo: Nos mercados globais, o FOMC sinalizou disposição para elevar as taxas de juros, com a possibilidade de aumento caso a inflação não converja para a meta de 2%. A divulgação ocorreu após o anúncio do Tesouro dos EUA. No Brasil, o cenário permanece de pressão, com juros elevados e incertezas eleitorais; o saldo de capitais estrangeiros na bolsa está negativo até 17 de agosto, em -R$ 18,6 bilhões. O alívio nos títulos dos EUA, porém, tem favorecido o real e as ações brasileiras.
Nos mercados internacionais, o Mercado Aberto (FOMC) demonstrou disposição de elevar os juros; no entanto, muitos analistas entendem que o aumento só seria necessário se a inflação não convergir para a meta de 2%. A divulgação ocorreu em meio a um alívio maior nos mercados de títulos, após o anúncio do Tesouro dos EUA.
Pressão continua
Ainda assim, o mercado acionário brasileiro permanece sob influência de fatores domésticos, como o nível elevado dos juros e as expectativas relacionadas ao cenário eleitoral.
A saída de capital estrangeiro também permanece no radar. Até 17 de agosto, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira estava negativo em R$ 18,6 bilhões.
A combinação entre o cenário internacional e as condições domésticas mantém o mercado brasileiro sujeito a oscilações. Nesta quarta, porém, o alívio nos títulos públicos dos Estados Unidos e a maior disposição global para assumir risco favoreceram o real e as ações brasileiras.
De acordo com informações obtidas junto à Reuters, parceira do PrimeiroJornal, a conjuntura internacional e os fatores locais continuam alimentando a volatilidade dos ativos brasileiros.
