Resumo
Engenharia social responde por 40% dos indícios de fraudes financeiras no Brasil. No 1º semestre de 2026, foram registrados mais de 9 milhões de indícios, com 3,6 milhões vinculados a esse tipo de golpe. O celular é o principal canal (78%) e o Pix aparece em 85% das movimentações. A IA amplia táticas de golpe; reguladores estudam novas medidas.
Brasil – Golpes baseados em engenharia social respondem por 40% dos indícios de fraudes financeiras, segundo dados da Quod. No 1º semestre de 2026, foram registrados mais de 9 milhões de indícios, com 3,6 milhões vinculados a essa prática. O celular foi o principal canal de ataque, presente em 78% dos casos, e o Pix aparece em 85% das movimentações.
Golpes mais sofisticados — A engenharia social foca na confiança e nas emoções da vítima, não na invasão de sistemas. Criminosos criam situações de urgência, medo ou falsa autoridade para induzir decisões rápidas. No golpe do falso call center, o golpista afirma ter detectado uma transação incomum e orienta a vítima a realizar ações para “proteger” a conta. Em operações policiais falsas, a autoridade é usada para intimidar e exigir transferências.
Os ataques costumam combinar ligações, WhatsApp, SMS e e-mails ao longo de dias ou semanas antes da tentativa de transferência. A IA tem tornado as abordagens mais convincentes, com clonagem de voz, imagens e documentos falsificados.
Para José Oliveira, diretor de Tecnologia da Certta, a engenharia social atinge uma camada distinta da segurança tradicional: “A IA antifraude não foi desenhada para combater engenharia social; foi feita para combater fraude. São camadas diferentes de um mesmo problema: a engenharia social ataca a decisão humana, a fraude ataca o sistema, o documento e a identidade.”
Tecnologia — Em 2026, mecanismos regulatórios reforçaram a defesa. A Resolução 501 do Banco Central ampliou o compartilhamento de informações sobre indícios de fraude entre instituições, fortalecendo a detecção precoce.
Crédito: rawpixel.com / Chanikarn Thongsupa
A faixa etária mais atingida é a de 18 a 34 anos, representando 49,06% das vítimas, de acordo com o material gráfico da matéria.
Resumo: Estudo da Certta e Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que apenas 11% das menções a golpes e fraudes digitais tratam de prevenção. O relatório destaca o papel da IA e da biometria comportamental, mas alerta para a persistência da engenharia social. Jovens de 18 a 34 anos respondem por 49,06% das vítimas; 3,1 milhões foram atingidos no primeiro semestre, com 799 mil casos repetidos. Recomenda-se combinação de tecnologia e conduta preventiva pelo usuário.
Um levantamento recente divulgado pela Certta e pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que apenas 11% das menções a golpes e fraudes digitais nas redes tratam de prevenção. O estudo analisa como instituições vêm investindo em soluções com base em inteligência artificial (IA) e biometria comportamental para avaliar fatores como dispositivo, horário, localização e histórico de transações, com o objetivo de antever riscos.
“Para as instituições, a lógica precisa ser exatamente a inversa, ou seja, usar tecnologia para reconhecer sinais, antecipar riscos e adaptar a proteção antes que a vulnerabilidade se transforme em prejuízo”, adverte Oliveira.
O estudo reforça que, apesar dos avanços tecnológicos, a vulnerabilidade humana continua sendo um ponto de fragilidade. Segundo os pesquisadores, o emprego de IA e análise de dados precisa caminhar junto com práticas de prevenção para evitar que a engenharia social virem o gatilho de golpes financeiros.
“Para o consumidor, a melhor defesa é aliar tecnologia a um comportamento preventivo. Como quase 78% das fraudes ocorrem via aparelho celular e a engenharia social é o principal motivo dos golpes, a regra é desconfiar do senso de urgência”, aponta Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da datatech Quod.
Como evitar golpes
- Desconfiar de pedidos de ação rápida e verificar sinais de pressão para agir.
- Confirmar por canais oficiais: desligue e contate o banco diretamente se surgir uma ligação suspeita.
- Contatar o gerente apenas por meio de contatos oficiais e desconfiar de notícias que envolvam fraude em agências.
- Não compartilhar senhas nem códigos de autenticação com terceiros.
- Antes de confirmar transferências via Pix, confira destinatário e valor.
- Desconfiar de falsas autoridades ou investigações que solicitem dados ou transfers.
- Evitar cliques em links recebidos por mensagens não solicitadas.
- Não emprestar contas para recebimentos de terceiros; isso facilita fraudes.
- Ativar autenticação multifator para adicionar camadas de proteção.
Mais vítimas jovens
Os jovens entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas, segundo o levantamento da Quod. Além disso, pessoas que recebem até dois salários mínimos respondem por 58% dos atingidos.
No conjunto, 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no primeiro semestre, e cerca de 799 mil sofreram golpes duas ou mais vezes. O cenário demonstra que, além do investimento tecnológico, a prevenção depende da capacidade do usuário de reconhecer tentativas de manipulação antes de autorizar uma operação.
“Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, momento em que fraudadores exploram distrações. Não clique em links de mensagens inesperadas e não empreste sua conta para terceiros, pois isso pode tornar você cúmplice de esquemas de ‘contas laranja’”, orienta Coelho.
A Quod, especializada em IA e análise de dados para crédito, desenvolve soluções para apoiar instituições financeiras na prevenção de fraudes e na recuperação de ativos. A Certta, por sua vez, atua na verificação inteligente de identidades e documentos, ajudando a reduzir fraudes em negócios e pessoas.
