Brasil e EUA: veja como ficam as relações após alerta eleitoral

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo Jornalístico — ABIN aponta risco de influência ou interferência dos EUA nas eleições brasileiras deste ano; relatório enviado ao governo, TSE e Justiça no fim de agosto; Folha de S.Paulo divulgou o conteúdo, com confirmação da TV Brasil/EBC; tarifas americanas sobre exportações chegam a 50%.

Brasil — A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório reservado que aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano, com o documento encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, parceiro do PrimeiroJornal, as informações foram confirmadas pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A Abin classifica o risco como de nível de criticidade e sustenta que a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina é prioridade do segundo governo de Donald Trump, com o objetivo de afastar rivais como a China de ativos estratégicos e infraestrutura na região.

A avaliação aponta ainda que houve intensificação das ações norte-americanas contra o Brasil nos últimos meses, abrangendo medidas econômicas e políticas que prejudicam os interesses nacionais.

O governo brasileiro, por sua vez, busca manter boas relações diplomáticas e comerciais. Em eventos públicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já comentou ter boa relação com Trump.

A narrativa sobre a aproximação entre Lula e Trump ganhou contornos após um encontro informal na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025, quando o mandatário norte-americano descreveu a relação como positiva entre os dois líderes.

Aumento das tarifas — Em abril de 2025 o Brasil passou a enfrentar tarifas de exportação para o mercado norte-americano, inicialmente em 10% para diversos países. Em 30 de julho, Donald Trump assinou uma Ordem Executiva elevando a tarifa para 50%, citando a atuação brasileira para restringir redes sociais no território nacional.

Entre as justificativas, a avaliação mencionou a atuação da Justiça brasileira que restringiu redes sociais no Brasil, citando plataformas como a Rumble, associada à Trump Media & Technology Group (TMTG), e o X (antigo Twitter), liderado por Elon Musk.

Resumo: EUA derrubam tarifas impostas a importações brasileiras, mas retomam medidas protecionistas com sobretaxa de 25% sobre parte das exportações. A pauta envolve a Lei Magnitsky contra Moraes e esposa, e o papel de Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, ampliando tensões entre Brasil e EUA.

Brasil e Estados Unidos vivem um capítulo de tensões econômicas. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas globais impostas no governo de Donald Trump sobre importações. Contudo, em 22 de julho, o governo americano anunciou uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, impactando uma fração relevante do comércio entre os dois países, com estimativas de, aproximadamente, 19% das remessas.

Lei Magnitsky — Além das tarifas, o governo norte-americano aplicou sanções a Alexandre de Moraes, ministro do STF e relator da chamada trama golpista, bem como à sua esposa, Viviane Barci Moraes. A norma prevê bloqueio de contas, ativos e outras restrições financeiras nos EUA, além da proibição de transações com empresas americanas e impedimento de entrada no país.

Em dezembro de 2025, Moraes e Viviane Barci Moraes tiveram seus nomes retirados da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.

O papel de Eduardo Bolsonaro — Naquele período, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, já havia ido para os Estados Unidos alegando perseguição política. Assim que a Lei Magnitsky foi aplicada, ele celebrou as medidas contra o Brasil nas redes sociais e afirmou ter atuado junto às autoridades americanas para alcançar esse resultado. Em junho de 2026, ele foi condenado pelo STF e, desde então, permanece morando nos EUA, tendo perdido o mandato por faltas às sessões da Câmara.

Queda nas tarifas — Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte derrubou as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente por Trump. Ainda assim, o governo dos Estados Unidos manteve medidas tarifárias, anunciando, em 22 de julho, uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, sob a justificativa de práticas desleais como uso do PIX, regulação das redes sociais, desmatamento irregular e acordos preferenciais com México e Índia.

Dias depois, o texto não detalha novos desdobramentos formais na matéria, porém o cenário aponta para uma relação bilateral tensa, com decisões judiciais e sanções que impactam o comércio e o ambiente político entre Brasil e Estados Unidos.

Resumo

Brasil e EUA discutem tarifas por trabalho escravo, designação de facções como terroristas, revogação de visto e a relação entre Lula e Trump, com desdobramentos na ONU, em Washington e Kuala Lumpur. Ações abrangem comércio, segurança e diplomacia, com encontros e negociações em curso.

Brasil e Estados Unidos protagonizam uma sequência de ações diplomáticas e comerciais que vão desde tarifas por trabalho escravo até medidas de segurança, com desdobramentos na ONU, em Washington e em Kuala Lumpur. O período apresentado envolve maio a agosto, com foco em decisões sobre comércio, cooperação e a relação entre os governos de Lula e Trump.

Tarifas de importação: O Brasil aplicou uma tarifa de 12,5% sobre determinados produtos importados, sob a alegação de evitar mercadorias produzidas com trabalho forçado. Além disso, parte dos itens exportados para os EUA pode sofrer tributação de até 37,5%, conforme classificação e regras de origem.

Designação de organizações terroristas: Em maio, os EUA anunciaram a designação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, medida que gerou controvérsia diplomática e debate sobre impactos na cooperação em narcotráfico, extorsão e contrabando.

Visto revogado: Em 4 de agosto, os EUA anunciaram a revogação do visto da embaixadora brasileira no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti, citando a demora do Brasil em responder à indicação para o posto. O Brasil contestou a medida, afirmando violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e argumentando que a divulgação pública deveria ocorrer apenas após anuência do país anfitrião.

Lula e Trump: Apesar de manter boa relação, Lula criticou publicamente Trump quando este sugeriu novas tarifas contra o Brasil durante negociações comerciais. O relacionamento inclui encontros e chamadas, com um breve encontro na ONU em setembro de 2025 e discussões sobre um provável encontro em Kuala Lumpur, durante a cúpula da ASEAN. Não houve anúncio de acordo nesse momento.

Contato e cooperação: O intercâmbio entre as nações incluiu quatro conversas telefônicas ao longo do ano, sendo a mais longa, de 1h20, em agosto. Em abril, Brasil e EUA já tinham anunciado um acordo de cooperação mútua para combater o tráfico internacional de armas e drogas, com objetivo de facilitar negociações comerciais e reduzir conflitos internacionais.

Agenda internacional: Ambos participarão da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com Lula abrindo o Debate Geral e o presidente dos EUA discursando em sequência. Até o momento, não há agenda de encontro bilateral marcada, sinalizando continuidade do diálogo por meio de canais oficiais e encontros institucionais.

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