Resumo: Em sessão plenária do STF, o decano Gilmar Mendes criticou falhas processuais na condução do inquérito do caso Master e apontou possível viés político-eleitoral na atuação do relator, ministro André Mendonça.
Disputa ganhou contorno quando Mendes citou vazamentos atribuídos ao gabinete de Mendonça, provocando reação do colega.
Mendonça afirmou não ter tido acesso a todo o material citado; Mendes ressaltou problemas de transparência no acesso a informações.
Palavras-chave: STF, Gilmar Mendes, Mendonça, Caso Master, vazamentos, sigilo, PET.
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, discursou durante a sessão plenária desta terça-feira e chamou a atenção para falhas processuais na condução do inquérito do caso Master, sob a relatoria do ministro André Mendonça. Em sua fala, Mendes mencionou ainda um possível viés político-eleitoral na forma como o tema vem sendo conduzido pela Corte.
A acusação ganhou corpo quando o ministro apontou que novas informações teriam sido divulgadas aos outros ministros por meio do acesso ao celular de Daniel Vorcaro. Em meio à tensão, Mendonça pediu a palavra e disse não ter tido acesso a todo o material comentado; Mendes retrucou, lembrando que já havia vazamentos atribuídos ao gabinete do presidente da Casa.
No centro da discussão, o processo envolve a investigação contra o ministro Anandre de Moraes por contatos com Vorcaro, embora Mendes tenha ressaltado que “a pergunta não é saber se esse ou aquele ministro deve ser investigado” e que o tema é se a persecução penal pode ser distribuída conforme a identidade do investigado. Mendonça argumentou que não apontava o dedo, e Mendes reagiu, dizendo que a Corte precisa se manter acima de disputas políticas.
A partir desse ponto, Mendes passou a acusar Mendonça de conduzir o caso com enviesamento, afirmando que “há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta PET” e citando, como exemplo, a escolha da data para a quebra de sigilo, em 7 de setembro. Mendonça ironizou dizendo que Mendes está sendo “leviano”, enquanto o decano retrucou que “quem não se dá respeito não merece respeito”.
A sessão seguiu com Mendes ressaltando que o Supremo não pode ser arrastado para disputas eleitorais, e que houve tentativas de envolver a Corte em práticas que, segundo ele, desvirtuam o papel institucional. Mendes concluiu afirmando que, em “nome de Deus”, já se praticou muita patifaria, ao que Mendonça respondeu pedindo respeito à instituição.

