Resumo: O MINOCA, tipo de infarto sem obstrução significativa das artérias coronárias, representa entre 5% e 10% dos casos de infarto agudo do miocárdio. A condição pode ter diferentes causas e exige exames complementares para identificar o mecanismo da lesão cardíaca e definir o tratamento.
Brasil — O infarto nem sempre ocorre por causa do bloqueio de uma artéria coronária. Em alguns pacientes, mesmo com sintomas como dor no peito, alterações no eletrocardiograma e elevação da troponina, o cateterismo não identifica uma obstrução importante nos vasos do coração.
Esse quadro é chamado de MINOCA (infarto do miocárdio sem obstrução das artérias coronárias) e, conforme a Diretriz Brasileira de Doença Coronariana Crônica de 2025, corresponde a cerca de 5% a 10% dos casos de infarto agudo do miocárdio.
Entre as causas possíveis estão espasmos das coronárias, alterações na microcirculação, pequenos trombos, dissecção espontânea da artéria e ruptura ou erosão de placas que podem não ser identificadas no exame convencional.

Segundo o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara, a ausência de uma grande obstrução no cateterismo não significa que o paciente não tenha sofrido um infarto.
“O cateterismo é fundamental para mostrar se existe uma obstrução importante, mas, quando ela não aparece, isso não significa que o paciente não teve um infarto. O MINOCA é um diagnóstico que exige investigação para descobrir qual mecanismo provocou a lesão cardíaca”, explicou.
A identificação da causa pode exigir exames adicionais, como a tomografia de coerência óptica (OCT) e o ultrassom intracoronário (IVUS), que permitem analisar detalhes da parede das artérias e encontrar alterações discretas, como pequenos trombos ou sinais de instabilidade de placas.
A ressonância magnética cardíaca também auxilia na avaliação do músculo do coração e ajuda a diferenciar o MINOCA de outras doenças com sintomas semelhantes, como miocardite e síndrome de Takotsubo.
Um estudo multicêntrico publicado na revista científica Circulation em 2026 apontou que a combinação de OCT/IVUS com ressonância magnética conseguiu esclarecer a origem do problema em 79% dos pacientes avaliados.
O MINOCA apresenta maior frequência proporcional entre mulheres jovens com infarto, especialmente em casos relacionados à dissecção espontânea das coronárias e alterações da microcirculação.
Apesar de não haver uma artéria completamente bloqueada, a condição exige acompanhamento médico. O tratamento depende da causa identificada, já que pacientes com espasmo coronariano, alterações de placas, disfunção microvascular ou dissecção podem precisar de condutas diferentes.
“O MINOCA não é uma doença única. Por isso, não existe um tratamento igual para todos. Descobrir o que provocou o infarto é o que permite direcionar a terapia e prevenir novos eventos”, concluiu Sérgio Câmara.
