Resumo: MPF, Gaeco, Polícia Federal e Receita Federal deflagram a Operação Termidor para desmantelar esquema bilionário na cadeia produtiva do dendê, nos estados do Pará e de São Paulo. Ao todo, 9 prisões preventivas, 26 buscas e apreensões e bloqueio de R$ 153 milhões. A investigação aponta organização criminosa ligada à lavagem de dinheiro, uso de laranjas e movimentação de cerca de R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026.
Pará e São Paulo foram os alvos da Operação Termidor, deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação, realizada com apoio da Polícia Federal e da Receita Federal, buscou desarticular um esquema bilionário ligado à cadeia produtiva do dendê.
Ao todo, foram expedidos nove mandados de prisão preventiva e cumpridos 26 mandados de busca e apreensão nos municípios paraenses de Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé?Açu, além de Indaiatuba, no interior de São Paulo. A Justiça Federal no Pará também determinou a suspensão das atividades econômicas de 11 empresas ligadas aos investigados.
As apurações tiveram início a partir de conflitos agrários na região nordeste do Pará, conhecida como a ‘guerra do dendê’. O território abrange municípios como Concordia do Pará, Tomé?Açu, Acará, Moju e Tailândia, marcados pela monocultura do dendê e pela presença histórica de povos indígenas e comunidades quilombolas.
Investigações indicam que uma organização criminosa armada se instalou na região para furtar, receptar e comercializar o fruto do dendê, cuja extração gera o azeite de dendê (óleo de palma), amplamente utilizado na indústria de alimentos e em biocombustíveis.
O esquema também contou com a participação de servidores públicos da área de segurança do estado, conforme apurado pelas autoridades.
As investigações apontam que os grupos empresariais sob investigação movimentaram pelo menos R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026. A organização combinava recursos límpidos com valores obtidos de modo ilícito para dificultar a identificação dos lucros, prática conhecida como lavagem de dinheiro.
Para ocultar a origem da renda e os responsáveis, o grupo utilizava terceiros, conhecidos como laranjas, para registrar empresas e patrimônio. A Receita Federal identificou ainda operações sem notas de entrada e movimentação de valores incompatíveis com o patrimônio declarado.
Os materiais apreendidos — documentos, celulares e computadores — foram encaminhados para perícia técnica. Os dados obtidos devem embasar as próximas etapas da denúncia criminal à Justiça.

