Representantes do setor imobiliário e da construção civil do estado enviaram, nesta terça-feira (1), uma carta aberta direcionada aos senadores baianos Ângelo Coronel (Republicanos), Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD). O documento expressa profunda preocupação com propostas em tramitação que visam à extinção da escala de trabalho 6×1 e à redução da jornada de 44 para 40 horas.
Assinada pelos presidentes do SINDUSCON-BA (Eduardo Freire Bastos), da ADEMI-BA (Cláudio Cunha) e do CRECI-BA (Nilson Araújo), a carta expressa “profunda preocupação” com propostas em tramitação que visam à abolição da escala 6×1 e à redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. O setor afirma que mudanças estruturais sem aumento de produtividade trarão consequências severas à economia.
O manifesto afirma que a imposição de uma redução na jornada sem ajuste salarial correspondente representa um choque direto nos custos operacionais das empresas, com efeitos imediatos na folha de pagamento e potencial pressão inflacionária. As entidades argumentam que as companhias serão obrigadas a repassar tais custos aos consumidores, gerando nova onda inflacionária que poderá penalizar famílias de baixa renda.
O documento ainda aponta risco de precarização e demissões em massa, sobretudo entre micro e pequenas empresas, que podem fechar atividades ou migrar para a informalidade por não conseguirem atrair novos trabalhadores em um mercado de trabalho mais restrito.
Outro ponto contestado pela carta é o suposto benefício de lazer e convívio familiar defendido pela PEC. Para os representantes da construção civil, não haverá descanso efetivo, já que o trabalhador poderá recorrer a atividades informais para complementar a renda, elevando o risco de acidentes e, na prática, reduzindo o poder de compra.
Por fim, as lideranças pedem responsabilidade técnica e um debate público, alertando os senadores sobre os riscos de pautar uma decisão no período eleitoral. A carta sustenta que uma aprovação precipitada seria creditada aos políticos que aprovarem a PEC, e defende que haja amplo debate para manter a sustentabilidade do setor e a estabilidade do mercado de trabalho.
