Resumo: Bahia pode vivenciar mudanças de legenda entre 15 deputados eleitos, devido à clàusula de desempenho. No federal, Avante e PDT concentram representantes sob risco; na AL-BA, Avante e PDT dominam as cadeiras. Regras exigem 2,5% dos votos nacionais ou 13 deputados federais distribuídos em nove estados para superar a cláusula.
A dança de cadeiras pode remodelar bancadas na Câmara e na Assembleia a partir de 2027.
Protagonizam a pauta parlamentares de Avante, PDT e PSOL/Rede, cujas legendas não atingiram o desempenho exigido pela Constituição.
Dados indicam como essa dinâmica pode impactar a configuração partidária no estado.
Bahia, Brasil — O resultado das eleições de 2026 abre espaço para uma dança de cadeiras entre siglas no estado. Ao todo, 15 deputados eleitos pela Bahia — quatro federais e 11 estaduais — pertencem a partidos ou federações que não superaram a cláusula de desempenho, o que permite a mudança de legenda sem perder o mandato. A regra, estabelecida pela Constituição Federal, garante que, quando um partido não atinge os requisitos da cláusula, o mandato fica assegurado e a filiação a outra sigla que tenha atingido os critérios é facultada.
Entre os deputados federais baianos, a situação atinge Pastor Sargento Isidório, Neto Carletto e Elmo Vaz, todos do Avante, além de Félix Mendonça Júnior, do PDT. O Avante e o PDT estão entre as legendas que não atingiram a cláusula de desempenho nas eleições deste ano.
O Avante conseguiu eleger três dos 39 representantes da Bahia na Câmara dos Deputados. Isidório foi o candidato a federal mais votado no estado, com 248.147 votos; Neto Carletto, 197.240 votos; e Elmo Vaz também garantiu uma cadeira. Pelo PDT, Félix Mendonça Júnior foi reeleito.
Na Assembleia Legislativa da Bahia, apenas Avante e PDT elegeram dez deputados, cinco de cada partido. Pelo Avante, foram eleitos Tancredo Isidório (82.883 votos), Léo de Neco (81.903), Vitor Azevedo (68.806), Silva Neto (66.967) e João de Furão (58.510). Já pelo PDT, tomaram assento Luciano Pinheiro (92.339), Marcinho Oliveira (83.074), Neto Coelho (54.429), Josafá Marinho (47.464) e Cacau da Mata (47.216); Marcinho Oliveira foi reeleito.
Além disso, Kleber Rosa (PSOL) foi eleito deputado estadual com 68.921 votos, integrando a federação PSOL/Rede, que não atingiu os requisitos nacionais da cláusula de desempenho.
Com isso, são 11 deputados estaduais baianos vinculados a partidos ou federações abaixo da cláusula: cinco do Avante, cinco do PDT e um do PSOL/Rede. A cláusula de desempenho ficou mais rígida em 2026: para superar a barreira, as legendas precisavam obter, pelo menos, 2,5% dos votos válidos para deputado federal no país, distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1,5% em cada um, ou eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos em nove estados. No caso do PDT, por exemplo, a legenda ficou com cerca de 1,6% dos votos nacionais e elegeu apenas seis deputados federais. A PSOL/Rede chegou a eleger 15 deputados, mas não atingiu a distribuição por estados exigida pela regra.

