Resumo: O jornal britânico The Guardian afirma que o governo dos EUA destinou US$ 1 milhão para campanhas contra o STF brasileiro, via HRDF; não há confirmação de transferência. A matéria cita pressões de membros do governo Trump e ações na Europa, além de financiamento britânico. O Departamento de Estado dos EUA sustenta que os projetos visam direitos e soberania; STF foi alvo de críticas no passado.
Brasil — o jornal britânico The Guardian publicou, nesta quarta-feira (30), reportagem que aponta que o governo dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão para financiar campanhas contra o STF brasileiro. Segundo informações divulgadas pelo veículo, o recurso ocorreria por meio do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF), sob controle do Congresso.
A matéria não confirma se o dinheiro foi efetivamente transferido ou apenas empenhado para projetos no exterior definidos pela Casa Branca. Ainda de acordo com a publicação, o STF já havia sido alvo de críticas e de pressões durante o julgamento envolvendo Jair Bolsonaro, com menção a sanções impostas pelo governo estadunidense em momentos anteriores.
A reportagem aponta também pressões de integrantes do governo Trump sobre leis digitais na Europa. No Reino Unido, haveria previsão de financiamento de até US$ 5 milhões para apoiar um grupo que atua contra leis de segurança online e contra o discurso de ódio, incluindo regras defendidas pela Ofcom.
“Destinada a proteger crianças de conteúdos nocivos e fiscalizada pela Ofcom, a lei envolve regras de verificação de idade que têm sido alvo de críticas constantes da administração Trump, que as classifica como censura”, descreve a publicação.
Agrupamento Memorial de Vítimas do Comunismo seria o principal beneficiário das doações do governo Trump, segundo a matéria, com liderança ligada ao ex-assessor de política interna da Casa Branca, Andrew Bremberg. A fundação receberia cerca de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 207,6 milhões).
Em resposta ao The Guardian, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que os projetos na Europa visariam apoiar “nossos aliados na defesa de direitos e de sua soberania, frente quem busca minar essas regras”.
A Agência Brasil procurou a assessoria de imprensa do STF para comentar a reportagem, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Contexto adicional: o artigo cita ainda que, segundo o Guardian, teriam sido destinados US$ 176,9 milhões (cerca de R$ 918 milhões) para 43 projetos ao redor do mundo, com referências a interesses que incluem a agenda de políticas de imigração e a atuação de figuras como James David Vance (JD Vance) e Stephen Miller, além de críticas a medidas regulatórias europeias.
Conforme a publicação, as informações teriam sido obtidas a partir de documentos do Departamento de Estado dos EUA, controlado pelo secretário de Estado da época. O Guardian afirma ainda que houve pressão direta de membros do governo norte-americano para tais verbas, refletindo interesses de alguns grupos dentro da administração.

