Resumo
- O que aconteceu: Petrobras anuncia segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, Margem Equatorial.
- Onde: Bacia da Foz do Amazonas, águas ultraprofundas.
- Quando: anúncio na manhã de sexta-feira, dia 2; licença de perfuração autorizada pelo Ibama em outubro de 2025; primeira descoberta em agosto.
- Potencial/Impacto: EPE aponta até 10 bilhões de boe no conjunto; ANP registra grande volume de reservas no Brasil.
Margem Equatorial, na Bacia da Foz do Amazonas, foi palco do anúncio da Petrobras sobre a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, em águas ultraprofundas. O poço 1-BRSA-1405-APS está localizado a 2.886 metros de lâmina d’água, na referida bacia. A notícia foi divulgada na manhã de sexta-feira, 2, e a licença de perfuração foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025. A descoberta anterior havia sido anunciada em meados de agosto.

Crédito: Agência Brasil

Crédito: Agência Brasil
A Margem Equatorial é considerada a nova fronteira exploratória de petróleo e é tida como um possível “novo pré-sal” pela expectativa de grandes volumes, com ganhos oriundos de descobertas recentes na Guiana e no Suriname.
Qualidade do óleo
A Petrobras informou que, após a descoberta de agosto, a continuidade da perfuração teve o objetivo de avaliaar intervalos exploratórios mais profundos.
A segunda descoberta foi identificada por meio de perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos obtidos durante as operações.
“A descoberta amplia o conhecimento sobre o potencial exploratório da área e fornecerá informações adicionais para a avaliação dos sistemas petrolíferos e do potencial de recursos da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas”, disse a companhia em nota.
A Petrobras já confirmou que o petróleo encontrado em agosto é de “boa qualidade”. O material da segunda descoberta passará por análises laboratoriais. A perfuração no Morpho continua para avaliação das formações identificadas.
Recomposição
A companhia ressalta que a exploração de petróleo no bloco Foz da Amazônia (FZA-M-59) está alinhada à estratégia de longo prazo de recomposição das reservas de petróleo e gás em novas fronteiras, contribuindo para o atendimento à demanda energética do país.
Em relação ao pré-sal, caso não haja novas descobertas, as reservas tenderiam a declinar na próxima década.
A busca pela licença de exploração na área teve início em 2013, quando a BP arrematou a área. Por decisão estratégica, a concessão foi repassada à Petrobras em 2021.
Ibama
A Petrobras obteve autorização para perfurar a Margem Equatorial em outubro de 2025. A licença foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
A decisão colocou empresas de petróleo e setores do governo de um lado, e ambientalistas de outro, preocupados com o impacto da exploração.
A presidente da companhia, Magda Chambriard, observa que, apesar do nome Foz do Amazonas, o local fica a 540 quilômetros da desembocadura do rio propriamente dita.
Potencial
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente.
Para efeito de comparação, dados da ANP apontam que o Brasil encerrou 2025 com cerca de 70 bilhões de barris entre reservas provadas, prováveis e possíveis apenas de petróleo.

