Dados do celular de Bolsonaro podem ser usados como provas em outros inquéritos

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Informações extraídas do celular de Jair Bolsonaro, apreendido na manhã desta quarta-feira, 3, pela Polícia Federal, no âmbito de investigação sobre suposta fraude no cartão de vacinação do ex-presidente, podem ser usadas como provas em outros inquéritos em andamento. A apreensão do aparelho ocorreu durante a Operação Venire, da PF, que prendeu preventivamente o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Os agentes fizeram buscas na casa do ex-presidente e recolheram seu celular.

Segundo a advogada Jacqueline Valles – mestre em Direito -, quando é cumprido um mandado de busca e apreensão, ele delimita os objetos a serem confiscados.

“A lei determina que sejam especificados no mandado o que se busca. E se o material apreendido legalmente contiver indícios de outros crimes, eles podem, sim, ser usados em outras investigações”, afirma Jacqueline Valles.

Em sua avaliação, se a PF encontrar no celular de Bolsonaro informações que o vinculem a outros crimes investigados, ‘a prova é válida, sim’.

Na operação desta quarta, a PF prendeu, além do tenente-coronel do Exército Mauro Cid, o PM Max Guilherme Machado de Moura, o capitão da reserva Sérgio Rocha Cordeiro, o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara, o ex-major Ailton Gonçalves Moraes Barros e o secretário municipal de Saúde de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha. Todos estão supostamente ligados a um esquema de adulteração do cartão de vacinação de Bolsonaro contra a covid-19.

A advogada explica que existe um princípio no Direito que permite, ainda, usar provas obtidas nessa investigação para iniciar outras investigações.

“A Teoria da Serendipidade é muito aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça na legalidade do encontro de provas de crimes diferentes aos que se investiga”, assinala a jurista.

Segundo ela, ‘isso é muito comum nas interceptações telefônicas’.

“A polícia está investigando, por exemplo, um crime de tráfico e descobre, por meio daquelas escutas, outros crimes. Segundo essa teoria, caso a polícia descubra novos crimes ao analisar o conteúdo do celular, isso também pode motivar a abertura de novos inquéritos policiais”, destaca Jacqueline.

Leia Também: Bolsonaro sabia de fraude em cartão de vacinação, dizem PF e Moraes

Leia Também: Alexandre manda PF apreender passaporte e armas de Bolsonaro

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Motta exonera assessor de Janones: “É reincidente”

Exoneração envolve assessor de Janones após interrupção de entrevista na Globo News Resumo: a Câmara dos Deputados exonerou nesta quinta-feira Bernardo Moreira, assessor de...

Renan Calheiros nega ter votado contra Messias ao STF após derrota no Senado

Resumo: o Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, com 42 votos contrários e 34 favoráveis, número insuficiente...

Prefeitura de SP multa empresa que utiliza habitação social como hotel

A Prefeitura de São Paulo multou a Cozzy Smart Hospitality em cerca de R$ 224 mil por usar dois imóveis com incentivos fiscais...