Resistência indígena no Carnaval de Salvador, bloco Commanches completa 50 anos: “Nós estamos aqui”

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Resistência no Carnaval de Salvador, o Bloco Commanches do Pelô, um dos mais tradicionais da folia baiana, entra para o time dos cinquenta em 2024 e divide holofotes com os homenageados pela Prefeitura e Governo, os blocos afro.

 

Um mês mais velho que o mais belo dos belos, o “irmão de tradição” Ilê Aiyê, o Commanches do Pelô irá colocar o bloco na rua em meio às dificuldades vividas por grande parte das agremiações que fogem o meio comercial, a falta de investimento.

 

 

 

 

 

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O apelo feito por Jorginho Comancheiro, presidente do Bloco Commanches do Pelô, é de mais atenção aos blocos de tradição da cidade. 

 

“Fazer 50 anos não é qualquer coisa. Nós entramos no time dos ‘enta’, mas não estamos sozinhos. E sozinhos nós não podemos. O que eu quero que a prefeitura, o governo do estado e federal entendam é que somos todos uma tradição, eu quero que olhem para todos e olhem para o indígena também com o mesmo olhar do coração, o mesmo olhar cultural e a mesma assistência, porque tudo começou com os indígenas. Nós somos precursores de tudo isso”, disse ao Bahia Notícias.

 

Foto: Bianca Andrade/ Bahia Notícias

 

Contemplado pelo edital Ouro Negro do Governo da Bahia, que neste ano investe R$ 14,7 milhões em 132 entidades afro, afoxés, samba, reggae e blocos de índio, para a realização dos desfiles carnavalescos, o Commanches recebe R$ 200 mil para a festa, mas busca uma atenção maior para além dos seis dias de folia.

 

Das 132 entidades classificadas, apenas dois são “blocos de índio” e levam a história dos povos originários para a avenida. O Commanche e o Apaches do Tororó, uma tradição que foi perdida desde o surgimento dos primeiros blocos na década de 60. “Esse é um ano de muitas tradições expostas, vocês não podem imaginar o que nós fizemos e o que deixamos de fazer para conseguir celebrar 50 anos de Carnaval da Bahia”, conta Jorginho.

 

Com 50 anos nas costas, o Commanches sobrevive como uma marca de quem por aqui já passou e deseja continuar fazendo história, mas para isso, é necessário espaço e investimento.

 

“A importância de levar nosso bloco para rua é para que as pessoas entendam que nós, entidades de raízes culturais, somos responsáveis por grandes artistas, dançarinos, cantores, sambistas, percussionistas. Na hora que a gente não tem forças para ajudá-los, nós ficamos frustrados.”

 

Ao Bahia Notícias, Jorginho reforça o trabalho feito pela agremiação para além do Carnaval e a importância de se olhar para os “blocos de índios” durante todo o ano e não apenas em datas pontuais.

 

“As entidades hoje não fazem só o Carnaval, nós trabalhamos o ano todo nas comunidades e sedes. O Comanches faz 50 carnavais, nosso bloco infantil está fazendo 10 anos. São nossos netos, nossos filhos, a outra geração que irá passar nossa cultura para frente e tomar conta do Comanches. A importância de olharem para essas instituições é manter a cultura viva. Eu não tenho nada contra quem vem ganhar os milhões aqui, sou músico profissional desde criança, mas separe o nosso.”

 

 

 

 

 

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O showman, como se descreve, ainda fez um apelo de união dos blocos como forma de continuar resistindo:

 

“Nós estamos aqui, somos nativos. Nós não pegamos dinheiro para depois ir para a Europa não, nós estamos aqui fazendo samba, partido alto o ano todo, tocando os tambores, fazendo canções. E é por isso que eu faço um apelo, para todos, se é o Carnaval dos cinquentões, vamos todos juntos.”

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