Senado publicou livro que chama Jair Bolsonaro de “fascista”

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O Senado publicou no ano passado um livro de artigos de opinião que chama Jair Bolsonaro de “fascista” e “o pior presidente do Brasil de todos os tempos”. A obra “100 vozes pela democracia” custou R$ 39,5 mil ao Senado e tem mil exemplares. O livro foi produzido em 2022 e tem textos de Lula, do ministro do STF Flávio Dino, de seis ministros do atual governo e de parlamentares governistas.

É possível acessar a versão digital do livro no site da biblioteca do Senado. Três exemplares físicos estão disponíveis na biblioteca pública. Publicado pela Editora Senado e pago com dinheiro público, “100 vozes pela democracia: um mosaico de reflexões da sociedade brasileira frente à ascensão da extrema direita reacionária” foi organizado pela entidade “Direitos Já! Fórum pela Democracia”, que reuniu políticos de diversos partidos em oposição ao governo Bolsonaro.

“Bolsonaro e sua matilha fascista tudo fazem para destruir pedra por pedra as instituições”, escreveu a deputada Alice Portugal, do PCdoB da Bahia, acrescentando: “Nossa voz se ergue para gritar basta! Fora Bolsonaro!”.

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, acusou no livro o governo Bolsonaro de “flerte com o fascismo”, com uma “agenda antipovo, neoliberal, entreguista e destruidora de vidas e direitos”. O presidente do PSol, Juliano Lemos, adotou tom semelhante: Bolsonaro presidente foi uma “macabra experiência”. “Bolsonaro certamente entrará para história como o pior presidente do Brasil de todos os tempos”, afirmou a senadora Eliziane Gama, do PSD do Maranhão.

As críticas também partiram de pessoas sem cargos públicos. “O país nunca contou com um presidente tão ruim. Neofascista, despreparado e grotesco”, opinou Aldo Arantes, integrante do PCdoB. A ex-jogadora de vôlei Isabel Salgado, que morreu no fim de 2022, falou em “camarilha fascista-miliciana” e atacou a  “política explicitamente fascista dessa corja que saiu dos porões da ditadura militar para ocupar a presidência da República”. Para o jornalista Juca Kfouri, Bolsonaro era um “miliciano obstinado em destruir, caso patológico de necropolítico, misógino, homofóbico, diabólico e fascistóide”.

O atual governo está em peso no livro, que foi produzido em 2022, no fim do governo Bolsonaro e perto da eleição vencida por Lula, e publicado pelo Senado no ano passado. Além de Lula, escreveram o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin; o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha; a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; a ministra de Planejamento, Simone Tebet; o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias; e o ministro do Empreendedorismo, Márcio França. O ministro do STF Flávio Dino, que também contribuiu com a obra, foi ministro da Justiça até fevereiro deste ano.

Lula escreveu que nunca esquecerá a “irresponsabilidade criminosa de Bolsonaro”. Alckmin chamou o governo passado de “desastre civilizatório”. Na visão de Marina Silva, o “capitão indisciplinado do Exército e sua nova tropa realizam seu plano de destruir a República”.

Procurado, o Senado afirmou que o livro segue as regras do Conselho Editorial e foi produzido por “personagens de diversos segmentos da sociedade civil, todos responsáveis pelos textos publicados”. O Senado afirmou que os mil exemplares impressos foram divididos da seguinte forma: 505 exemplares estão em estoque; 360 foram destinados ao Conselho Editorial; 109 vendidos a preço de custo, R$ 40; 13 enviados a órgãos do Senado; e outros 13 enviados a gabinetes parlamentares.

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