Guaíba chega ao seu menor nível em quase 20 dias

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O que era esperado para acontecer entre terça e quarta-feira (22/5) se deu exatamente à meia-noite: o nível do Guaíba baixou de 4m. Entre os dois dias, chegou a 3,99m, algo que não era alcançado desde 3 de maio.

Às 7h15 da manhã desta quarta, as medições feitas pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS apontavam 3,91m. A velocidade de diminuição das águas que banham Porto Alegre era de 1,2cm por hora.

Mas ainda falta muito para baixar dos 3m, nível considerado para inundações. Se não houvesse intercorrência, a medida seria alcançada em pouco mais de três dias.

Porém, são esperadas chuvas e ventos muito fortes até sexta-feira (24/5), o que pode fazer com que o nível do corpo hídrico varie bastante.

Guaíba e a Lagoa dos Patos No dia 4 de maio, o Guaíba chegou a sua cota máxima com as enchentes no Rio Grande do Sul: 5,35 metros. Superou em muito o recorde anterior, de 1941, quando chegou aos 4,74 metros.

A cheia resultou em imagens impresssionantes divulgadas pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg), com uma extensa mancha de sedimentos, que sai do corpo hídrico de Porto Alegre em direção ao sul da Lagoa dos Patos. Há o medo de que fauna e a flora da Lagoa sejam afetadas.

“A mancha de sedimentos de coloração avermelhada corresponde basicamente a uma pluma (mancha de sedimentos em suspensão) oriunda do Lago Guaíba. Como todos sabem, houve episódios de bastante chuva na região norte do estado, o que atingiu grandes bacias hidrográficas que se comunicam com o Lago Guaíba e trazem todo esse sedimento da região interiorana para o corpo de água que se encontra conectado à Lagoa dos Patos, transferindo essa carga inteira”, diz Fabrício Sanguinetti, coordenador do Laboratório de Oceanografia Dinâmica e por Satélites (LODS) da Furg.

Conforme as imagens, estima-se que a mancha de sedimentos já ultrapassa a latitude da Vila do Bojuru, no município de São José do Norte (a cerca de 355 quilômetros da capital, Porto Alegre). O avanço é lento e determinado pela linha vermelha nas imagens.

De acordo com Fabrício, os sedimentos podem ter avanços além do que é exibido nas imagens. “É possível que as águas do Guaíba já estejam alcançando regiões mais ao sul do que podemos observar  nessa mancha de sedimentos”, explica.

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