TST triplica indenização a condenada por assédio contra homossexuais

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu aumentar significativamente o valor da indenização a ser paga por uma empresa que praticou assédio contra homossexuais e discriminação de gênero por meio de uma gerente. A prestadora de serviços de Pernambuco teve a condenação por danos morais coletivos triplicada, passando de R$ 30 mil para R$ 100 mil na última instância da Justiça Trabalhista. A medida foi tomada pela maioria dos membros da 7ª Turma do tribunal, que considerou o aumento como uma medida pedagógica para desencorajar práticas semelhantes no futuro.

A empresa Melhor Doc Serviços de Arquivamentos, responsável pela digitalização de documentos, foi condenada devido às atitudes discriminatórias da gerente, que liderava uma equipe de mais de 100 pessoas e, segundo o processo, tratava mulheres e homossexuais de forma desigual, favorecendo homens mais jovens.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) iniciou uma ação civil pública em 2018 após recolher depoimentos de funcionários atuais e antigos que relataram os constrangimentos causados pela gerente. Entre as práticas citadas estavam humilhações públicas, termos ofensivos e comportamento discriminatório em relação a homossexuais.

A decisão em primeira instância condenou a empresa por assédio moral da gerente contra todos os subordinados, proibindo práticas humilhantes ou discriminatórias. Além disso, determinou uma indenização de R$ 30 mil, valor que foi aumentado pelo TST, juntamente com a realização de campanhas educativas internas para prevenir e coibir o assédio moral no ambiente de trabalho.

O relator no TST, ministro Agra Belmonte, destacou que o aumento da indenização tem caráter punitivo e pedagógico, visando reprimir condutas ilícitas. Considerou a conduta gravíssima da gerente como justificativa para a elevação do valor, que passou para R$ 100.000,00, sendo mais proporcional ao dano coletivo sofrido.

Diante da situação, a empresa Melhor Doc afirmou que nunca incentivou práticas prejudiciais aos funcionários, mantendo um ambiente de trabalho saudável e seguro, com uma ouvidoria estruturada para lidar com possíveis insatisfações. A defesa esclareceu ainda que a decisão judicial pode ser objeto de recurso.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

PT pede investigação do MPSP sobre contas do vice de Tarcísio em Andorra

O PT protocolou, nesta quarta-feira, uma representação ao Ministério Público de São Paulo para apurar suspeitas de ilicitudes administrativas, civis e de improbidade...

CPI do Crime Organizado chama ministros do STF, ex-ministros de Bolsonaro e Vorcaro; lista ainda inclui Rui Costa e João Roma

A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou convites para o comparecimento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF, além...

Polícia apreende 200 cigarros eletrônicos de tabacaria ilegal no DF

Uma tabacaria em Ceilândia (DF) foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que apreendeu 200 cigarros...