Ex-Jotta A, Ella Viana lança conteúdo adulto para sobreviver

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Ella Viana, nome artístico adotado após sua transição de gênero, ficou conhecida em todo o Brasil como Jotta A, um dos principais nomes da música gospel da última década. Revelado no Programa Raul Gil ainda criança, o então jovem prodígio da música cristã encantou o público com sua voz potente, sendo comparado a grandes nomes da música internacional. O sucesso rendeu contratos com gravadoras evangélicas, prêmios e até indicações internacionais como o Grammy Latino.

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Mas por trás do brilho nos palcos, Ella enfrentava uma profunda crise de identidade e espiritualidade. Criada em um ambiente evangélico extremamente conservador, ela relata que viveu anos de repressão, medo e silêncio sobre sua própria sexualidade e identidade de gênero. “Ser trans em um meio que só fala sobre cura e libertação é viver como se fosse um erro existencial. Eu me vi apagada”, relata.

A ruptura definitiva com o meio gospel veio após o processo de transição, quando Ella decidiu abandonar o nome artístico que a consagrou e abraçar sua nova identidade de forma pública. O impacto foi imediato. Ela passou a receber ataques nas redes sociais, perdeu seguidores e enfrentou o afastamento de líderes religiosos que antes a aclamavam como “promessa de Deus”.

Em entrevista ao site Notícias da TV, Ella revelou que a decisão de migrar para a plataforma Privacy, onde publica conteúdo adulto, foi mais artística do que financeira. “Mostrar meu corpo é arte. É política também. É dizer: eu existo e tenho orgulho de quem sou”, afirmou. Ela também lançou projetos musicais pela plataforma, como a faixa Amor à Luz do Dia, que denuncia a hipocrisia do amor escondido vivido por muitas mulheres trans.

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A ex-cantora gospel também não poupa críticas ao fundamentalismo religioso que a acompanhou desde a infância. “A religiosidade baseada no fundamentalismo é uma doença. Cresci com medo de mim mesma. Hoje, entendo que Deus não é exclusão, é liberdade”, declarou.

Apesar das dores e das perdas, Ella afirma ter alcançado algo inédito: a liberdade de ser quem é. Após um período morando na Colômbia, ela voltou ao Brasil e reconstruiu os laços com a família. “Minha mãe é a mulher da minha vida. Meu pai, com 89 anos, me apoia e me respeita. Isso vale mais que qualquer aplauso nos púlpitos”, desabafa.

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