Governo pede ao STJ mais prazo para regulamentar Cannabis industrial

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O governo federal pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma prorrogação do prazo para a regulamentação da Cannabis industrial, especificamente o cânhamo, no Brasil. A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou o pedido em nome da União, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde, solicitando mais 180 dias para concluir a regulamentação, que foi considerada lícita pelo STJ. A autorização abrange o plantio, cultivo e comercialização do cânhamo com baixo teor de THC para fins medicinais.

O prazo estipulado pelo Tribunal, de seis meses, expirou no dia 29 de setembro. Na solicitação, os órgãos governamentais mencionaram que não conseguiram seguir o cronograma anterior devido à complexidade do assunto, à necessidade de envolver diferentes setores e à recente reestruturação na Anvisa, que alterou a diretoria responsável.

A União e a Anvisa também enfatizaram a importância de seguir as Boas Práticas Regulatórias, que requerem a realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR) e consulta pública à sociedade civil. Essas etapas são vistas como cruciais para garantir uma norma abrangente e segura.

Outro ponto abordado foi o risco de novas ações judiciais caso a regulamentação seja apressada. A Anvisa argumenta que é vital incluir a autorização para pesquisa científica com cânhamo na norma, mesmo que não esteja diretamente mencionada no acórdão do STJ, para evitar lacunas legais.


O governo sugeriu um novo calendário com quatro etapas principais:

  • 30/10/2025 – abertura da consulta pública;
  • 31/01/2026 – consolidação das contribuições e elaboração de documentos técnicos;
  • 31/03/2026 – apreciação e aprovação da proposta pela Diretoria Colegiada da Anvisa;
  • publicação final da resolução da Anvisa e portaria do Ministério da Saúde.

Com a extensão do prazo, os órgãos esperam que a regulamentação do cânhamo industrial seja mais robusta e alinhada ao direito à saúde, evitando lacunas que possam atrasar o acesso a produtos medicinais. No curto prazo, produtores, empresas e investidores se beneficiarão ao cultivar o cânhamo como nova commodity. Já no médio e longo prazo, pacientes e pesquisadores poderão contar com mais produtos regulamentados e avanços em estudos clínicos.

Diversos países, como Canadá, Estados Unidos e China, já regulamentaram o cânhamo industrial. Um relatório da Embrapa e do Instituto Ficus de 2023 estimou que o mercado global de derivados de cânhamo atinge US$ 7 bilhões, com crescimento anual projetado de 16% a 25% até 2033.

Em 2024, o Brasil registrou 672 mil pacientes em tratamento com cannabis medicinal, um aumento de 56% em relação ao ano anterior, conforme dados do anuário da Kaya Mind. O segmento movimentou R$ 853 milhões.

O que você acha dessa prorrogação e do futuro do cânhamo no Brasil? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Município de Ipiaú na Bahia registra cinco homicídios em um fim de semana

O município baiano de Ipiaú registrou cinco assassinatos em menos de 48 horas, entre a noite da sexta-feira (16) e a madrugada deste...

Em artigo no NYT, Lula cutuca Trump: “Hemisfério pertence a todos nós”

Resumo para SEO: Lula critica intervenções dos EUA na Venezuela, defende solução democrática e o respeito ao direito internacional. Artigo no The New...

Homem é morto com tiro na cabeça enquanto dormia em casa no Bairro São Brás, em Prado

Carlos Henrique Barreto dos Santos, 39 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça enquanto dormia em sua residência no bairro São Brás,...