Amona Ibrahim Kaki, refugiada da região das Montanhas Nuba, no Sudão, vive no campo de Ajoung Thok. Ela encontrou a Bíblia no quarto do irmão no ano passado, passou a lê-la diariamente e, ao chegar o Natal, confirmou ter encontrado Cristo e decidido seguir a fé cristã.
Após a revelação, vizinhos que a monitoravam passaram a avisar a família. Na quinta-feira, um parente pediu ao irmão que permitisse que ela ficasse em casa, mas ele recusou com raiva, afirmando que ela devia sair antes da sua chegada ou arcar com as consequências.
No dia 25 de dezembro, Amona participou de um culto na Igreja Batista Gloria em Ajoung Thok. Ao questionarem o motivo de sua ida à igreja, ela disse ter encontrado Cristo e decidido seguir a fé cristã. A reação dos pais foi imediata e hostil: confiscaram o celular dela e avisaram que, se não renunciasse a Cristo, seria deserdada, expulsa de casa e o sobrenome da família mudaria.
Nessas áreas de fronteira, onde o peso do direito da família e da tradição religiosa é muito grande, uma jovem na posição dela fica extremamente vulnerável. Mesmo ainda morando em casa sob a ameaça constante, Amona conseguiu enviar uma mensagem aos cristãos da cidade pedindo orações e apoio urgente, pois enfrentava um futuro incerto. Até o momento desta reportagem, nenhuma agência de ajuda humanitária tinha conhecimento de sua situação.
Segundo relatos, Amona encontrou a Bíblia no quarto do irmão no ano anterior e passou a lê-la diariamente. Quando chegou a época dos exames, ela começou a ver mudanças positivas. Após a igreja orar por ela, ficou melhor, embora a família muçulmana tenha atribuído sua recuperação a uma suposta possessão demoníaca. Em novembro do ano passado, ela perdeu o interesse pelas orações muçulmanas e decidiu colocar sua fé em Jesus, além de evitar más companhia.
O Sudão é composto por aproximadamente 93% de muçulmanos, com 4,3% da população praticando religiões tradicionais étnicas e 2,3% cristãos, segundo dados do Joshua Project. O país ocupou o quinto lugar entre as nações onde é mais difícil ser cristão, na Lista Mundial da Perseguição 2025 da Portas Abertas, caindo do oitavo lugar em relação ao ano anterior. Em 2021, o Sudão deixou de figurar entre os 10 primeiros pela primeira vez em seis anos, após estar em 13º em 2021 na lista anterior.
Historicamente, o Sudão foi classificado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como CPC (Preocupação Especial) entre 1999 e 2018, passara para apenas observação em 2019 e foi retirado dessa lista em 2020. Dados como esses ajudam a contextualizar o difícil cenário de liberdade religiosa no país.
Este relato vem do registro da Portas Abertas, que acompanha casos de perseguição a cristãos em todo o mundo, iluminando histórias como a de Amona e destacando a importância de redes de apoio para quem enfrenta pressão familiar e social pela fé.
Como você encara a fé como força para enfrentar pressões familiares e culturais? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a ampliar a conscientização sobre a perseguição religiosa ao redor do mundo.

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