Começa julgamento de recurso de Le Pen que tenta salvar candidatura para 2027

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O julgamento em apelação de Marine Le Pen por desvio de recursos públicos europeus começou nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, em Paris. A líder da extrema direita busca anular a condenação em primeira instância e manter sua candidatura às eleições presidenciais de 2027.

Em março, o tribunal de primeira instância condenou Le Pen a cinco anos de inabilitação imediata, multa de 100 mil euros e determinou que o RN devolva ao Parlamento Europeu 3,2 milhões de euros. Os juízes entenderam que houve um esquema para que assessores do Parlamento Europeu, pagos pela instituição, trabalhassem na prática para o partido, o que é proibido.

A líder compareceu ao Palácio de Justiça de Paris, mantendo-se silenciosa para a imprensa. Em entrevista breve, disse que espera convencer os magistrados da sua inocência e que sua linha de defesa será dizer a verdade, desejando ser ouvida de forma mais atenta do que na primeira instância.

O recurso acontece enquanto Le Pen, ou seu protegido político, Jordan Bardella, lideram as pesquisas para suceder Emmanuel Macron em 2027. Além dela, 23 pessoas ligadas ao antigo FN, hoje Reagrupamento Nacional (RN), também foram condenadas, com o partido recorrendo da decisão.

A Justiça sustenta que, entre 2004 e 2016, houve um esquema para que assessores do partido no Parlamento Europeu, pagos pela instituição, tivessem atuação para a formação, em vez de exercer funções próprias. Não houve indícios de enriquecimento pessoal de Le Pen, segundo a Justiça. Em primeira instância, foi determinada a devolução de 3,2 milhões de euros, e a pena máxima pode chegar a 10 anos de prisão. Em caso de nova condenação, é possível recorrer ao Tribunal de Cassação.

O presidente do tribunal, Christophe Soulard, afirmou que, caso haja novo veredito, a decisão pode sair antes das eleições, se possível. Os advogados de Le Pen argumentam que não houve intenção de cometer os atos imputados. A defesa destaca que a estratégia visa manter Le Pen na disputa presidencial de 2027, na qual Macron não pode mais concorrer em 2027, segundo as regras vigentes.

Durante o debate, Bardella afirmou que seria “preocupante para a democracia” se a Justiça privasse franceses de uma candidata que já chegou ao segundo turno em duas ocasiões. Trompando a cobertura, uma sondagem recente aponta Bardella com 49% das intenções de voto para vencer a presidência, em comparação com Macron.

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu ao caso chamando-o de uma “caça às bruxas”. O julgamento segue com a expectativa de prosseguir até 11 de fevereiro, quando devem ser apresentados os desfechos e argumentos finais.

À medida que o caso avança, a disputa entre justiça, política e as próximas eleições continua a moldar o cenário da França, com impactos potenciais na coligação de esquerda, no centro e no próprio espectro da extrema direita. Compartilhe sua opinião: como você vê o papel da Justiça na democracia francesa e as chances de Le Pen em 2027?

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