Entenda pontos estratégicos do acordo firmado entre Mercosul e União Europeia

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Resumo executivo Após mais de 25 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia foi aprovado pelo Conselho da UE, consolidando a maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas. A assinatura ocorreu em Assunção, Paraguai, no sábado, 17 de janeiro de 2026, e o texto ainda depende da aprovação pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.

Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que temem impactos no clima e na concorrência agrícola. A implementação será gradual, e os efeitos práticos devem se desenhar ao longo de vários anos, com mecanismos de salvaguarda e etapas definidas.

Pontos-chave do acordo – Eliminação gradual de tarifas: Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos; a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos. – Ganhos para a indústria: tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais, incluindo máquinas e equipamentos, automóveis e autopeças, químicos e aeronaves. – Acesso ampliado ao mercado europeu: Mercosul ganha acesso a um mercado de alto poder aquisitivo; a UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões; o comércio tende a ficar mais previsível e com menos barreiras técnicas. – Cotas para produtos sensíveis: carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação; acima dessas cotas, tarifas; as cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas. Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil; no mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor. – Salvaguardas agrícolas: a UE pode reintroduzir tarifas temporárias se importações crescerem acima de limites definidos ou se preços caírem muito abaixo do mercado europeu. – Compromissos ambientais: cláusulas ambientais obrigatórias e vinculantes, com possibilidade de suspensão em caso de violação do Acordo de Paris e de desmatamento ilegal. – Regras sanitárias: padrões sanitários e fitossanitários continuam rígidos, sem flexibilização excessiva. – Serviços e investimentos: redução da discriminação regulatória para investidores estrangeiros, com avanços em setores como serviços financeiros, telecomunicações, transporte e serviços empresariais. – Compras públicas e propriedade intelectual: Mercosul poderá disputar licitações públicas na UE; reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias; regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais. – PMEs: capítulo específico para pequenas e médias empresas, com facilitação aduaneira e redução de custos. – Impactos para o Brasil: potencial de aumento das exportações, maior integração em cadeias globais de valor e possível atração de investimentos no médio e longo prazo.

Próximos passos A assinatura ocorreu, mas a entrada em vigor depende da aprovação pelo Parlamento Europeu e da ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Acordos que extrapolam políticas comerciais exigem aprovação nos parlamentos de cada país, o que pode alongar o cronograma.

Conexão com o leitor Este tema afeta a indústria local, o agronegócio, o comércio e o dia a dia do cidadão. Como você enxerga os impactos do acordo na cidade onde vive? Participe demonstrando sua opinião nos comentários e compartilhe seu ponto de vista sobre as oportunidades e os riscos apresentados por esse acordo histórico.

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