O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou neste sábado que milhares de pessoas morreram nos protestos que abalaram o país, responsabilizando o presidente dos EUA, Donald Trump, e chamando o episódio de parte de um conluio americano para fragilizar a República Islâmica.
Conforme a agência Tasnim, Khamenei disse que os protestos contaram com a participação de agentes mal-intencionados e pessoas “ignorantes” que provocaram crimes, incluindo prisões e agressões. ONG oposicionistas no exílio estimam cerca de 3.428 mortos e aproximadamente 19 mil detidos, enquanto as autoridades iranianas não divulgaram números oficiais. O líder também mencionou danos a estruturas públicas, com destruição de 250 mesquitas e mais de 250 centros educacionais e científicos, além de prejuízos a instalações elétricas, bancos e lojas de bens básicos.
Khamenei responsabilizou Trump pela violência e pelas perdas, afirmando que foi um complot americano para provocar a intervenção de Washington na República Islâmica. O líder disse ainda que houve a participação de agentes de serviços de inteligência dos EUA e de Israel para manipular as manifestações e que os EUA devem prestar contas pelos danos causados.
As mobilizações começaram em 28 de dezembro, com comerciantes de Teerã fechando lojas por causa da queda do rial, ganhando adesão em várias regiões do Irã e atingindo um auge entre 8 e 9 de janeiro, quando ocorreram diversos atos de vandalismo e invasões a instituições públicas. O governo iraniano sustenta que as manifestações econômicas se tornaram violentas pela infiltração de atores externos, para justificar uma intervenção militar que, até o momento, não ocorreu. Trump chegou a declarar que “ajuda estava a caminho”, em tom que muitos interpretaram como um sinal de intervenção.
Segundo a versão oficial, 53 mesquitas foram incendiadas durante os episódios, acompanhados de ataques a bancos, instalações de saúde e outros serviços, numa leitura que atribui os danos a uma conspiração externa. O episódio segue sob o foco internacional, com a retórica de que os Estados Unidos devem responder pelos ataques e pelas mortes, sem que haja confirmação de uma ação militar direta até agora.
Este é o núcleo do que tem sido divulgado pelo governo iraniano e por apoiadores oficiais sobre os protestos. Qual é a sua leitura sobre o papel de potências estrangeiras e as consequências para o Irã? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte como você encara a relação entre políticas internas e tensões internacionais neste momento.

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