O Carnaval de rua de São Paulo avança em número de blocos, mas enfrenta dificuldades de organização, logística e infraestrutura. A cidade registra crescimento significativo da folia, porém os organizadores e especialistas destacam a necessidade de aprimorar o preparo para lidar com grandes massas de público.
Os blocos reclamam da falta de diálogo com a prefeitura. Gustavo Leman, do Bloco Tatuapé, afirmou que a cooperação é essencial para que as ações funcionem; ele lamenta que a comunicação atual torne os blocos coadjuvantes, em vez de parceiros. “O que falta é diálogo com a gente. A gente sabe o que funciona ou não, mas a comunicação é muito difícil”, disse.
A má organização também é apontada em questões práticas, como a ausência de banheiros químicos no entorno de blocos, incluindo o Tatuzinho Kids, infantil, na Zona Leste. A prefeitura, por meio da SPTuris, é questionada sobre as soluções para esses equipamentos. A gestão municipal é proprietária majoritária da SPTuris, responsável pelo Carnaval de rua.
Os organizadores questionam ainda os valores repassados pela prefeitura. Segundo Zé Cury, coordenador do Fórum de Blocos, os 100 blocos beneficiados recebem, no máximo, até R$ 25 mil cada, o que, na visão deles, não incentiva o setor. “Eu não posso dizer que a Prefeitura fomenta o Carnaval; a impressão é de que muitos ficam com prejuízo e que viraram profissionais não remunerados da prefeitura”, afirmou Leman.
Outro ponto de tensão envolve blocos com megavais de artistas internacionais, como o show de Calvin Harris no último domingo. Os organizadores ressaltam que esse tipo de ação ocorre sem planejamento claro, o que pode afastar blocos mais tradicionais. “Isso não é um bloco de Carnaval; é um trio elétrico que funciona como som ambulante, e não é assim”, criticou Cury, que também questionou o fechamento das ruas com grades, defendendo que o modelo do Carnaval de Salvador, com tapumes, deveria ser considerado para melhorar a circulação.
A dispersão dos foliões também é alvo de críticas. Segundo Leman, manter as vias fechadas até tarde sem planejamento adequado atrasa a saída do público e aumenta a confusão. Em sua avaliação, três horas para dispersar multidões é muito pouco e pode favorecer tragédias em cenários de grande aglomeração.
Do ponto de vista técnico, Valter Caldana, professor de arquitetura e urbanismo do Mackenzie, destaca que a prefeitura tem capacidade para gerenciar grandes massas, lembrando exemplos como finais de campeonato. Ele sugere separar eventos culturais de atrações patrocinadas para evitar sobreposição de públicos e realocar grandes atrações para locais como Vale do Anhangabaú ou Avenida Paulista, a fim de reduzir conflitos entre blocos.
Para Caldana, o desafio não é apenas fechar ruas, mas planejar melhor os nós de circulação, com controle de cruzamentos e fluxo de pedestres. Ele aponta que o Carnaval da cidade está em um momento de adaptação, exigindo soluções que não mercantilizem a expressão cultural e preservem a essência cultural do fenômeno ao mesmo tempo em que garantem segurança e mobilidade.
Apesar das cobranças, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) classificou o primeiro fim de semana do pré-carnaval como “sucesso”. Ele destacou a quantidade de foliões e, apesar dos tumultos, citou poucas ocorrências em meio à superlotação da Consolação. A administração também informou que, diante do recorde de público, liberou vias de escape e retirou gradis para melhorar a mobilidade, segundo declarações à imprensa.
O debate sobre o equilíbrio entre expressão cultural e organização pública continua. O que está claro é que o Carnaval de rua de São Paulo precisa de planos mais claros de diálogo, infraestrutura e fluxo de pessoas para crescer de forma segura e sustentável, mantendo a identidade das festas locais.
E você, como vê a evolução do Carnaval de rua na cidade? Quais soluções você acredita que podem melhorar a organização e a experiência dos foliões sem perder a essência cultural? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre o futuro do Carnaval de São Paulo.

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