Médico observa medula em paciente (Foto: Reprodução/Redes Sociais) Uma nova esperança surge para pacientes com lesões medulares graves, como paraplegia e tetraplegia. A polilaminina, uma molécula sintética desenvolvida a partir da laminina, proteína naturalmente presente no corpo humano, tem apresentado resultados promissores em fases experimentais. A pesquisa é liderada pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A polilaminina atua estimulando a reconexão de axônios, prolongamentos dos neurônios essenciais para a comunicação neural. A laminina, base para o desenvolvimento da polilaminina, desempenha um papel crucial na formação do sistema nervoso durante o período embrionário. Tatiana Coelho de Sampaio, em entrevista, destacou a estrutura da laminina, comparando-a a uma cruz, e a polilaminina como “várias de mãozinhas dada”, em alusão ao seu potencial de reconexão.
A cientista brincou sobre a natureza da descoberta, mencionando de forma descontraída: “Não conta para ninguém. Graças a Deus, ainda não saiu isso, porque no dia que sair eu estou perdida, porque aí vão dizer mesmo que é proteína de Deus”.
Resultados experimentais iniciais e o caso de Luiz Otávio Santos Nunez
Tatiana de Sampaio. (Foto: Reprodução/YouTube/TV 247) Um estudo experimental realizado pela UFRJ em parceria com o laboratório Cristália envolveu oito pacientes com lesão medular grave. Desses, seis recuperaram parte da mobilidade, e um paciente voltou a andar. Este estudo preliminar, conduzido entre 2018 e 2021 em ambiente acadêmico e ainda sem revisão por pares, aponta para a eficácia da polilaminina.
O momento ideal para a aplicação da substância é em até 72 horas após a lesão. Casos crônicos, com mais de três ou quatro meses, apresentam maior dificuldade de regeneração devido a processos patológicos já estabelecidos.
O primeiro paciente a receber o tratamento experimental no Brasil foi Luiz Otávio Santos Nunez, um militar de 19 anos que ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo. Doze dias após a aplicação no Hospital Militar de Campo Grande, ele recuperou o movimento na ponta de um dos dedos.
Próximos passos e acesso à polilaminina
Atualmente, a polilaminina encontra-se em fase experimental. Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico de fase 1, que terá como objetivo avaliar a segurança da substância em cinco voluntários com lesões agudas completas da medula espinhal torácica.
Paralelamente aos estudos oficiais, aproximadamente 19 pacientes já tiveram acesso à polilaminina por meio de decisões judiciais. Nesses casos, o laboratório Cristália informa que fornece as doses gratuitamente, mas o acompanhamento é passivo e não integra o protocolo de pesquisa.
Especialistas alertam que, apesar dos resultados animadores, são preliminares. Estima-se que até 30% dos pacientes com lesão medular aguda possam ter alguma recuperação espontânea, o que reforça a necessidade de estudos controlados para comprovar definitivamente a eficácia da polilaminina.
Fonte: Tribuna Gospel (https://tribunagospel.com.br/polilaminina-proteina-deus-lesoes-medulares-estudos-clinicos/)

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