PT aposta em conexões com Master para desgastar governo Tarcísio

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Em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master, que atinge diferentes esferas de governo e partidos, o PT tem explorado as relações da gestão paulista com personagens ligados ao banqueiro Nelson Tanure para tentar desgastar o governador Tarcísio de Freitas neste ano eleitoral.

Um ponto central envolve Fabiano Zettel, cunhado de Tanure, que foi o maior doador da campanha de Tarcísio em 2022, com R$ 2 milhões, e está sob investigação da Polícia Federal por operar negócios do Master. A oposição vincula essas doações ao próprio dono do banco.

Agora a oposição aponta novas conexões entre as privatizações da Emae e da Sabesp e negociações com Tanure, com a participação de Carlos Piani, que atuou como presidente do conselho da Ambipar e, posteriormente, da Equatorial, empresa que depois comprou a Sabesp.

O fio condutor envolve os negócios do empresário Nelson Tanure, apontado como sócio oculto do Master, com menções ao Piani e ao papel da Ambipar na operação. Documentos da CVM mostram a valorização das ações da Ambipar como lastro para a aquisição da Emae, levando a investigações sobre possíveis operações coordenadas para favorecer o negócio.

Cronologia das privatizações: Abril de 2024 — Phoenix, ligado a Nelson Tanure, vence o leilão da Emae por R$ 1 bilhão. Junho a setembro de 2024 — grande valorização das ações da Ambipar, usadas como lastro pelo Phoenix para emitir debêntures e pagar a Emae. Julho de 2024 — Equatorial, com Piani no comando, vence o leilão da Sabesp. Início de 2025 — Emae, sob Tanure, compra R$ 160 milhões em CDBs do Letsbank, ligado ao Master. Maio de 2025 — Documento técnico da CVM levanta a hipótese de valorização artificial para favorecer a Emae; o relatório cita apenas o controlador da Ambipar, Borlenghi, sem citar Piani nominalmente. Setembro de 2025 — Sabesp elege Carlos Piani como novo CEO e ele deixa os conselhos da Ambipar e da Equatorial. Outubro de 2025 — Como o Phoenix não honrou as debêntures, a XP executa dívida e tira o controle da Emae, vendendo-a à Sabesp.

Vidraças: até o momento, a ligação de Tarcísio com Fabiano Zettel, maior doador da campanha de Bolsonaro e também de Tarcísio, permanece a peça mais simples de entender. Segundo o TSE, Zettel repassou R$ 3 milhões a Bolsonaro e R$ 2 milhões a Tarcísio. Zettel foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes ligadas ao Master. A oposição aguarda novas informações que possam reforçar as ligações entre o governador e os personagens do escândalo.

O que dizem o governo e a Sabesp: o governo de Tarcísio afirma que os processos de desestatização da Sabesp e da Emae seguiram ritos administrativos rigorosos, com segurança jurídica e proteção ao patrimônio público. A gestão destaca estudos técnicos independentes de instituições como o BNDES e a IFC, além de afirmar que o modelo de venda via B3 assegurou competitividade sob a fiscalização do Tribunal de Contas do Estado.

A Sabesp ressaltou que a escolha de Carlos Piani para presidente, assim como a diretoria após a desestatização, passou por avaliações de conformidade e não houve conflito de interesses. Sobre a compra da Emae, a operadora destacou que não havia relação anterior com a Sabesp e que a aquisição foi estratégica, passando pela aprovação dos órgãos competentes, como o CADE e a Aneel. A empresa também repudiou o uso político e a divulgação de informações falsas.

Até o momento, não há acusação formal contra o governo paulista ou a Sabesp no âmbito do caso Master. Contudo, a teia de relações continua a ser tema de debate político e pode repercutir na agenda nacional, com protagonismo de atores ligados ao PT nas discussões sobre privatizações e governança.

E você, o que pensa sobre as privatizações e as relações entre política e negócios nesse caso? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa.

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