Delegados da PF reagem ao novo PL Antifacção: “ninguém foi consultado”

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) reagiu ao novo texto do PL Antifac?a?o, que deve ser analisado pela Câmara dos Deputados ainda na noite desta terça-feira (24/2). A entidade afirma que o parecer traz mudanças que afetam a PF sem participação ou consulta aos seus diretores, o que gerou críticas internas sobre o processo de construção do texto.

O relator da proposta, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), reincluiu no parecer um trecho aprovado pelos parlamentares em 2025 que prevê a divisão dos recursos provenientes de bens apreendidos entre a Polícia Federal e os estados. A mudança reacende o debate sobre a destinação de recursos entre a instituição e as administrações estaduais.

Presidente da ADPF, Edvandir Felix de Paiva, afirmou à coluna que o novo relatório é uma “decepção”. Segundo ele, os diretores da entidade não foram consultados durante a elaboração do texto. “É uma decepção. O relatório foi prejudicial à Polícia Federal. No Senado, conseguimos inserir mecanismos importantes, mas tudo foi retirado, tudo foi ignorado. As mudanças feitas agora tendem a criar mais confusão, em vez de fortalecer o trabalho da Polícia Federal”, disse. Paiva também criticou a ausência de previsão de recursos para o Funapol, da PF, e a falta de negociação com o diretor-geral, Andrei Rodrigues, e com o número dois da instituição.

O que aconteceu? O PL Antifac?a?o já havia sido aprovado pela Câmara em 19 de novembro de 2025, após seis versões apresentadas por Derrite, com 370 votos favoráveis e 110 contrários. A versão sancionada pela Câmara gerou críticas no Executivo, que articulou mudanças junto aos senadores. Por isso, o projeto precisou retornar à análise da Câmara. Sob comando do ministro Wellington Cesar, o Ministério da Justiça passou a considerar, na semana passada, também o texto relatado por Derrite. O novo secretário de Assuntos Legislativos, Paulo Modesto, informou que uma equipe técnica acompanha as duas versões da proposta e que estão sendo avaliadas em coordenação com o ministério.

Na Câmara, o texto contou com o envolvimento direto do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que indicou Derrite para a relatoria. A decisão foi criticada pelo governo, que influenciou no vaivém de pareceres apresentados pelo deputado. A discussão sobre o PL Antifac?a?o continua acesa, com parlamentares e o Executivo buscando um caminho que atenda aos interesses institucionais e de segurança pública. Que leitura você faz sobre as mudanças propostas e o papel do Executivo nesse processo?

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

STF autoriza Daniel Vorcaro a realizar exames médicos em hospital

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que o banqueiro Daniel Vorcaro realize exames médicos em uma unidade hospitalar. Vorcaro está...

“Medo de ser roubado”: falso policial civil é preso com 3 armas na cintura

Belo Horizonte registrou uma prisão importante na tarde de 22 de abril, quando um homem de 45 anos foi detido na Região Norte...

Tribunal autoriza retirada de sobrenome paterno do registro civil em razão de abandono afetivo

Resumo: a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou, em recurso especial, a retirada do sobrenome paterno do registro civil de...