Apesar de polêmico e que divide opiniões no Congresso, 2026 é visto como o ano para discutir com profundidade a mudança na jornada de trabalho do país. O deputado Paulo Azi (União-AP) foi escolhido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, para ser o relator da PEC 6×1, que altera a semana de trabalho. Azi disse que vai buscar um texto que atenda às necessidades do país e conte com apoio na Câmara, apresentando o parecer na Comissão de Constituição e Justiça, presidida por Leur Lomanto Jr.
“A gente vai ver o que a sociedade pensa, o que os partidos pensam. E aí, vamos tentar construir um texto que tenha, pelo menos, um consenso mínimo na sociedade e uma maioria consolidada no parlamento”, afirmou Paulo Azi.
O parlamentar reconhece a delicadeza do tema, mas aposta que há espaço para avanço dentro do prazo estabelecido pelo presidente da Câmara de votar a proposta ainda em março na CCJ.
“Hugo Motta me fez um convite para ser o relator da pauta. Sei que é um tema muito delicado; tem setores da sociedade que são a favor, outros que são contra”, disse. “Mas eu acho que é o momento e que o país tem maturidade suficiente para enfrentar o tema. Eu acho que há espaço para avanço.”
Questionado sobre declarações de Antonio Rueda, presidente do União Brasil, contrário ao projeto, Azi disse não ter ouvido tais falas e manteve a disposição de ouvir todos os lados para buscar um texto de consenso.
Após a tramitação na Câmara, entidades do setor produtivo passaram a divulgar estudos sobre o impacto da medida. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que a redução da jornada pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais, o que equivaleria a um aumento de até 7% na folha de pagamentos.
A projeção considera dois cenários para manter o nível de horas: a realização de horas extras pelos atuais trabalhadores ou a contratação de novos empregados.
Para Azi, há caminhos para mitigar esses efeitos, como desoneração da folha de pagamento ou incentivos fiscais.
O deputado ressalta que setores da economia são mais dependentes de mão de obra e que a queda na jornada pode impactar com mais força alguns segmentos, o que reforça a necessidade de protagonismo do governo na discussão, para apresentar alternativas que protejam setores sem repassar a conta apenas para eles.
O tema segue sob observação, com expectativa de votação na CCJ ainda em março, e a necessidade de consenso entre governo e parlamento para avançar.
E você, o que pensa sobre a PEC 6×1 e as possíveis mudanças na jornada de trabalho? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe sua leitura sobre os impactos para a economia e para os trabalhadores.

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