Base chinesa em Salvador? Entenda trajetória da startup aeroespacial baiana mencionada em relatório norte-americano

Escrito por: Diógenes Cunha

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Fundada em 2019 pela baiana Aila Raquel Ribeiro, a Alya Space, também conhecida como Alya Nanosatellite Constellation, tem sede em Salvador, em um prédio de centros financeiros na Avenida Tancredo Neves. A empresa ganhou destaque após o site Poder360 citar um relatório do Congresso dos EUA que aponta a existência de uma base militar chinesa secreta no Brasil associada à Alya, denominada Estação Terrestre de Tucano. O documento não especifica a localização exata e o Bahia Notícias buscou a empresa para comentar, sem obter resposta.

A origem da Alya está ligada a uma necessidade prática: a fundadora percebeu a dificuldade de acessar imagens de satélite de alta resolução em projetos na Região Metropolitana de Salvador. Em 2019, Aila participou de uma imersão promovida pelo Founder Institute, que deu origem à Alya Nanosatellite Constellation e ao seu plano de oferecer imagens de alta qualidade a custos menores.

Sobre o modelo de atuação, a Alya pretende lançar uma constelação de 216 nanosatélites, em duas fases—Alya 1 e Alya 2—com 108 unidades cada. A missão envolve sensores hiperespectrais para observar a superfície da Terra, com aplicações na agricultura, indústria de petróleo e gás, proteção ambiental e resposta a desastres. Paralelamente, a empresa planeja Cal/Val parks na Bahia para simular diferentes ambientes.

A atuação internacional já contempla parcerias e participações: em 2019, a empresa participou da Amazonia Challenge e passou por incubação no Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica; em 2022, Aila foi bolsista em evento da Enrich e a Alya afirmou que atua também na Ásia (China) e nos Estados Unidos, com o objetivo de manter relações comerciais em três continentes.

Entre as parcerias, a Alya fechou acordo com a Hong Kong Aerospace Technology Group para integração e fabricação de satélites, com contratos atribuídos de US$ 675 milhões para a HKAT e a construção dos centros de controle. Em 2024, o custo estimado por satélite ficou em €1,2 milhão, incluindo licenciamento, lançamento e integração de sensores. A fundadora também citou diálogos com lançadores internacionais, e a possibilidade de usar Alcântara como base para lançamentos. A empresa prevê quatro estações terrestres no Brasil: Cuiabá, Sorocaba, Bahia e Maranhão.

Em relação ao relatório do Congresso sobre a China, a avaliação aponta uma base não oficial que permitiria observar ativos militares e rastrear objetos espaciais na América do Sul. A Alya não respondeu a um pedido de posicionamento; o tema segue gerando debate e atenção internacional.

O tema é relevante para a indústria espacial brasileira e para futuras parcerias internacionais. Deixe seu comentário com a sua opinião sobre o papel de startups locais na fronteira da tecnologia espacial e na cooperação global.

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