A família de Preta Gil e Gilberto Gil aponta contradição na defesa do padre Danilo César, da paróquia de Areial, na Paraíba, após o sacerdote ser denunciado por falas preconceituosas contra religiões de matriz africana durante uma missa transmitida ao vivo em 2025, pouco tempo após o falecimento de Preta.
Segundo os advogados Layanne Piau e Fredie Didier, a situação envolve duas frentes: uma ação civil por danos morais e uma ação criminal. No âmbito criminal, o padre fechou acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para suspender a persecução penal, conhecido como Acordo de Não Persecução Penal ou ANPP.
Na visão da família Gil, o padre revelou uma mudança de tom no processo civil, ao discordar da leitura do caso apenas sob a ótica da fé, o que, segundo eles, pode desrespeitar o acordo já firmado com o MPF.
Para encerrar o caso criminal, o padre assinou um conjunto de medidas: pagar quase R$ 5 mil a uma associação afrodescendente, ler livros e assistir documentários sobre cultura negra, escrever resenhas à mão, cumprir 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa e participar de um ato inter-religioso, com a presença remota de Gilberto Gil.
Na esfera civil, a defesa sustenta que ele apenas expressou sua fé ao relacionar a morte de Preta Gil a religiões de matriz africana, negando uma prática ilícita.
Os advogados da família afirmam que essa mudança de postura pode desrespeitar a decisão judicial, já que o acordo criminal exige o reconhecimento do erro.
O advogado do padre, Rodrigo Rabello, contesta essa leitura. Ele afirma que o ANPP não implica crime ou dolo e que o sacerdote apenas reconheceu publicamente as falas gravadas, destacando que os objetos dos processos civil e criminal são distintos.
O caso envolve tensões entre liberdade de expressão, fé e reparação, com prazos e objetivos distintos para cada processo, e segue gerando debate sobre como a Justiça atua diante de casos de intolerância religiosa.
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