A Comissão de Assuntos Externos do Congresso dos Deputados, em Madrid, aprovou uma iniciativa do Partido Popular (PP) para reforçar a resposta da Espanha à perseguição religiosa, com foco na proteção de comunidades cristãs e na promoção de uma atuação internacional mais firme contra massacres motivados pela fé. A proposta destaca a necessidade de uma postura mais contundente da Espanha frente às violações religiosas em várias regiões do mundo.
Durante a apresentação, a deputada Maribel Sánchez afirmou que a liberdade religiosa não é um privilégio confessional, mas um direito humano fundamental e um indicativo de qualidade democrática. Ela lembrou que esse direito está consagrado no Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ainda que a realidade global esteja aquém dessa linha.
A apresentação da moção em defesa dos cristãos perseguidos foi seguida de um debate entre partidos, buscando contextualizar a urgência da medida com base em dados recentes do cenário internacional.
Para evidenciar a gravidade do tema, Sánchez citou a Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas, que aponta que 388 milhões de cristãos vivem em países com níveis altos, muito altos ou extremos de perseguição. Ela ressaltou que não se trata de incidentes isolados, mas de um padrão estruturado impulsionado pela ascensão de governos autoritários e pela violência em conflitos.
No debate, a porta-voz do PSOE, María Dolores Corujo, criticou a iniciativa, acusando o PP de “islamofobia populista” e de perseguir muçulmanos nas administrações locais. O deputado Agustín Santos Maraver, do grupo Sumar, votou contra, reconhecendo a importância de combater todas as formas de perseguição, ainda que tenha expressado reservas sobre a forma de atuação. Já Jordi Salvador, do Esquerra Republicana, votou a favor, defendendo o respeito a todas as minorias. O partido Vox, de posição mais à direita, encerrou a rodada apoiando a medida.
A iniciativa aprovada não visa apenas crimes diretos, mas também a discriminação sistêmica que afeta o cotidiano de milhões de fiéis em várias nações. Ted Blake, diretor da Portas Abertas na Espanha, afirmou que a perseguição é muitas vezes silenciosa e estrutural, dificultando acesso a emprego, educação e justiça, e tornando os cristãos cidadãos de segunda classe em diversos lugares.
O texto também convoca a Espanha a intensificar sua ação diplomática junto à União Europeia, ao Conselho da Europa e à ONU, ligando a defesa dos direitos humanos aos acordos internacionais. Defende ainda que a proteção da liberdade religiosa é uma ferramenta para prevenir migrações forçadas. A votação revelou divisões no Parlamento: a medida foi aprovada por um único voto, com 18 abstenções.
Segundo o Relatório sobre Liberdade Religiosa de 2025 da organização Ajuda à Igreja que Sofre, mais de 5,4 bilhões de pessoas vivem em países com graves violações desse direito, reforçando a necessidade de uma ação internacional mais efetiva. Mesmo diante da oposição, o debate acende a discussão sobre o papel da Espanha na proteção das minorias religiosas no cenário global.
Como leitor, qual é a sua visão sobre a atuação da Espanha nessa questão? Compartilhe seus pensamentos nos comentários e participe da conversa sobre como fortalecer a liberdade religiosa em nível internacional.
