Durante o 41º Congresso Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú, Santa Catarina, a pastora Helena Raquel fez um apelo firme às mulheres vítimas de violência doméstica: denunciem os agressores e deixem de orar apenas por eles. O discurso, registrado e amplamente compartilhado, reacende o debate sobre o papel da igreja na resposta a esse tipo de violência.
Ancorando sua fala na passagem de Juízes 19, Helena Raquel criticou a orientação de algumas igrejas locais para evitar denúncias para não gerar escândalo. Ela disse que orar esperando a salvação de um agressor não é o caminho e orientou as vítimas a buscar delegacias especializadas, buscar apoio de pessoas de confiança e não aceitar pedidos de desculpas de abusadores, porque “quem agride, mata”.
A fala também se voltou aos pais de vítimas, alertando contra a ideia de que o agressor é “ungido” e, portanto, intocável. Citando a leitura bíblica de que não se deve tocar nos ungidos de Deus, ela ressaltou que pedófilos e abusadores são criminosos, não representantes divinos, e pediu que as famílias deixem igrejas que desafiam a palavra dos filhos e façam denúncias imediatas para evitar traumas futuros. “Não existe capacidade de se encontrar, na mesma figura, um pastor e um abusador; ou é pastor, ou é abusador. Saia daqui agora.”
A pastora foi direta ao afirmar que a igreja não pode mais se omitir diante de casos de abuso. Disse que quem fere não representa a Deus e que a fé deve ser um espaço de cura, não de medo. “Se agride, não representa Deus. Ungido não é abusador. Ungido não é agressor.”
Para apoiar as vítimas, Helena Raquel disponibilizou os contatos Disque 100, para denúncias de violações de direitos humanos e abuso infantil, e Ligue 180, central de atendimento à mulher. Além disso, a senadora Damares Alves elogiou a coragem da líder e trouxe dados preocupantes sobre violência doméstica entre fiéis, destacando que mais de 42% das mulheres evangélicas já passaram por algum tipo de violência.
Damares destacou a importância de ampliar a conscientização com base nesses números, incentivando a divulgação da pesquisa como ferramenta de proteção. A ocasião contou com o apoio de parlamentares e reforçou o debate sobre o papel da igreja na defesa das vítimas, dentro de uma agenda de proteção feminina e combate ao abuso.
E você, qual é a sua opinião sobre o papel da igreja na defesa das vítimas e na responsabilização de agressões? Compartilhe seus pensamentos nos comentários e venha dialogar com a gente sobre esse tema tão importante para moradores e gente de fé.
