Cristã perseguida pelo regime iraniano é condenada a 9 anos de prisão

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Uma cristã convertida ao catolicismo no Irã foi condenada a nove anos e oito meses de prisão por propaganda contra o Estado e conspiração contra a segurança nacional. A decisão foi assinada pelo Tribunal Revolucionário de Teerã após autoridades apreenderem sua Bíblia e literatura cristã em uma operação realizada na casa dela, em janeiro. A família e defensores denunciam perseguição religiosa e uso de leis para silenciar a fé cristã convertida.

Ghazal Marzban, que se tornou católica e já foi presa por motivos de consciência, foi detida novamente em Teerã. Duas horas após a prisão, ligou para o marido e informou estar sob custódia de um centro do Ministério da Inteligência. Ela afirmou que o material cristão era de uso pessoal, não para evangelizar, e que, como cristã, tinha o direito de possuí-lo. Em 2024, já havia passado dois meses na prisão de Evin por propaganda ao entoar slogans.

O caso envolve ainda a família da ré. O marido, também convertido, não conseguiu obter a medicação necessária para controlar o Parkinson. Segundo Mansour Borji, diretor executivo da organização Article18, a sentença parece ter sido uma penalidade aos dois cônjuges pela necessidade de cuidados médicos durante a detenção.

Entre 2023 e 2024, autoridades iranianas endureceram a repressão a cristãos convertidos e a atividades religiosas. As autoridades aplicaram penas para encontros de oração, batismos e distribuição de Bíblias, sob o código penal alterado pelo Tribunal Revolucionário de Teerã. Em dezembro, cinco cristãos receberam sentenças que somam 50 anos de prisão, além de multas significativas e fianças que chegaram a centenas de milhares de dólares.

Documentos judiciais mencionam trechos de discursos do líder supremo Ali Khamenei em 2010, que classificavam as igrejas domésticas como ameaça à segurança nacional, e as autoridades confiscavam textos cristãos para análise. Em 28 de dezembro de 2025, protestos contra o governo ganharam as ruas de mais de 100 cidades e regiões. A HRANA aponta mais de 7.000 mortes entre manifestantes, enquanto o governo reconhece ao menos 3.000 fatalidades, parte delas atribuídas às forças de segurança.

A cobertura de Article18 e de veículos como The Christian Post e Folha Gospel destaca o impacto da repressão sobre cristãos no Irã e o efeito sobre famílias e na localidade. O caso de Marzban ilustra como leis de segurança podem, na prática, restringir a liberdade religiosa sob a justificativa de ordem pública.

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