Esquema operado por brasileiro sancionado por elo com o PCC usava sistema de compensações de créditos, via criptoativos e Pix dos EUA
Polícia Federal aponta que Victor Shimada, brasileiro ligado ao PCC, liderou um esquema transnacional de lavagem de dinheiro que mesclava criptoativos, transferências digitais e dinheiro em espécie para movimentar recursos bilionários em vários países, sem atravessar o sistema bancário convencional. A investigação resultou na sanção dos EUA a Shimada, a colega Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e a rede de empresas associadas, com atuação em países como Portugal.
O uso de criptomoedas, como Bitcoin e USDT, aliado a sistemas de pagamento digital, especialmente o Zelle, foi essencial para gerenciar operações em cidades como Houston, Chicago e Los Angeles. Investigadores identificaram “planilhas de tokens” que anotavam valores em dólares, enquanto endereços de carteiras digitais facilitavam as transferências internacionais, somando milhões de dólares envolvidos no esquema.
Mesmo com o peso das ferramentas digitais, o núcleo do esquema mantinha a relação com dinheiro vivo. No Brasil, entregas de malas com dinheiro eram coordinadas por membros da organização; os trajeto s eram monitorados por aplicativos como o Waze, e recibos eram autenticados com notas de R$ 2, escritas com data e valor para confirmar as entregas.
O que diferenciava o golpe de doleiro tradicional era a dependência de meios eletrônicos. Além de criptomoedas, os investigados usavam o que chamam de “pontos” como o Zelle para transações nos EUA, e sistemas como o Wallet/Banco Wells Fargo, vinculados a operações associadas ao tráfico envolvendo o PCC, codificado em mensagens com termos como “iphone” para haxixe.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (Portugal). A decisão bloqueia bens sob jurisdição norte-americana e impede negócios com cidadãos e entidades americanas; sanções secundárias podem recair sobre terceiros que transacionarem com os sancionados.
A defesa de Shimada informou que ainda não teve acesso aos documentos que embasaram as sanções e que negará veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa, prometendo análise criteriosa assim que os registros oficiais chegarem aos advogados.
O caso evidencia como redes criminosas estão se tornando cada vez mais sofisticadas ao combinar criptomoedas, pagamentos eletrônicos e comunicação criptografada para movimentar recursos ilícitos entre fronteiras. E você, o que acha dessa evolução no crimes financeiros? Deixe seu comentário com sua opinião sobre o tema.






