UnB realiza “calourada” da primeira turma das cotas para alunos trans. Veja vídeo

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A Universidade de Brasília (UnB) inaugurou a primeira turma de ingressantes por meio das cotas para pessoas trans, em uma recepção realizada no Anfiteatro 10 do ICC Sul, no campus Darcy Ribeiro, na tarde de 17 de março. O ato representa um marco de inclusão e demonstra o compromisso da instituição com políticas públicas de diversidade no ensino superior.

A iniciativa está alinhada à política aprovada em 2024 pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe/UnB), que reserva 2% das vagas para estudantes trans nos cursos de graduação. A medida busca ampliar a representatividade dessa população na universidade, reduzir barreiras históricas de acesso e criar condições concretas para a formação acadêmica dentro de um espaço que valoriza a diversidade.

Durante a sessão, integrantes do projeto Vivência Ballroom UnB recepcionaram os ingressantes com uma breve apresentação de voguing, uma expressão de dança-cena que simboliza empoderamento, identidade e orgulho LGBTQIA+. A demonstração reforçou a importância de reconhecer e valorizar diferentes formas de expressão cultural como parte da construção de uma comunidade universitária mais diversa.

Maria Célia Selem, responsável pela Coordenação LGBTQIA+ da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), destacou que o evento funciona como um espaço de acolhimento para esse grupo de estudantes trans. “Principalmente para quem está entrando agora pelo primeiro vestibular de cotas trans”, afirmou, sublinhando a necessidade de apoiá-los desde a chegada à UnB.

Luca Azure ingressou pela via de cotas no curso de Licenciatura em Filosofia. “Quando soube que a UnB tinha aberto essa possibilidade, senti como se fosse uma luz no fim do túnel para construir o meu futuro por conta própria”, afirmou, revelando o impacto positivo da política na trajetória acadêmica.

Nicholas Moon também integrou a UnB pelo sistema de cotas para pessoas trans, no curso de Letras — Língua e Literatura Japonesa. Ele relatou que, inicialmente, teve medo, mas ficou satisfeito com o acolhimento. “Achei que não seria aceita por ser do gênero fluido, mas fiquei muito feliz quando fui aprovada. A entrevista foi super tranquila e com pessoas trans avaliando”, disse.

A programação incluiu apresentações institucionais sobre a SDH e os canais de ouvidoria, bem como orientações sobre políticas e direitos dos estudantes, como o uso do nome social e os canais para denúncias de discriminação. A ideia foi esclarecer procedimentos, reforçar a proteção aos ingressantes trans e orientar sobre os recursos disponíveis na universidade.

O evento foi organizado pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH), pelo Núcleo de Estudos da Diversidade Sexual e de Gênero (Nedig/Ceam) e pela Diretoria de Esporte e Organizações Comunitárias (Deac/DAC). A iniciativa também abriu espaço para apresentar coletivos estudantis, visando criar uma rede de apoio, convivência e integração entre calouros e veteranos da UnB, fortalecendo o intercâmbio de saberes e experiências.

A política de cotas para pessoas trans, aprovada pelo Cepe em 2024, não apenas estabelece a reserva de 2% de vagas, mas sinaliza um compromisso institucional com a diversidade e com a formação de uma comunidade universitária mais inclusiva. O objetivo é transformar trajetórias individuais e incentivar uma cultura de respeito e oportunidades iguais para todos os estudantes.

Este caso mostra como políticas públicas universitárias podem transformar vidas e estimular mudanças culturais dentro das instituições. Queremos saber o que você pensa sobre cotas para pessoas trans no ensino superior e sobre as iniciativas de acolhimento que promovem inclusão. Deixe sua opinião nos comentários, compartilhe experiências e perguntas para enriquecermos o debate.

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