Consulesa do Brasil no Líbano é investigada por trabalho escravo

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Resumo rápido: a consulesa honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati, é alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho por suspeita de manter uma trabalhadora filipina em condições análogas à escravidão por mais de uma década. A vítima foi resgatada em São Paulo, após contatos com moradores filipinos no Brasil e com o apoio das autoridades locais. O caso envolve divergências entre a defesa e a acusação, além de declarações oficiais que colocam a história em continuidade, com a investigação em andamento.

O episódio ganhou contornos ao ser revelado que a trabalhadora filipina, com 50 anos, relatou jornadas exaustivas que começavam às 6h30 e iam até as 19h30, sem folgas ou pagamento adicional por fins de semana e feriados. Ela ainda disse não ter acesso ao próprio passaporte desde 2014 e não possuir conta bancária, vivendo sob rígidas restrições em uma residência monitorada por câmeras. Em depoimento à Polícia Federal, a sobrevivente descreveu sentir-se prisioneira e ter temido por sua vida, afirmando que a situação perdurou por cerca de 12 anos.

A narrativa ganhou relevância após uma denúncia encaminhada ao MPT por contatos da própria comunidade filipina no Brasil, que acionaram o consulado filipino em São Paulo. A Polícia Federal foi acionada com pedido de intervenção urgente devido ao risco à integridade da vítima, resultando no deslocamento do assistente consular ao endereço indicado com o apoio da Polícia Militar, acionada pelo 190. Na chegada ao local, a vítima conseguiu deixar a residência com seus pertences, sinalizando o desfecho imediato do resgate.

A vítima informou ter recebido cerca de US$ 550 por mês, valor que era enviado à família nas Filipinas, mas que ela não tinha autonomia para gerir esse dinheiro nem para comprovar sua própria renda. Segundo o relato, a funcionária vivia com portões trancados e sob vigilância constante, o que reforça as acusações de condições análogas à escravidão. A defesa da consulesa, por sua vez, contestou a versão da empregadora, afirmando que o pagamento era superior ao alegado, que a relação era regular e que a funcionária assinava recibos de pagamento regularmente.

Entretanto, o caso chegou às autoridades com o apoio do Consulado das Filipinas em São Paulo, que acionou o Ministério Público do Trabalho, levando a instauração de procedimento para apurar a denúncia de tráfico de pessoas para fins de trabalho análogo à escravidão. O MPT ressaltou a necessidade de atuação imediata diante da vulnerabilidade de uma cidadã estrangeira, mantendo o caso sob investigação, sem detalhar novos elementos neste momento.

O Itamaraty informou que consules honorários exercem funções de forma voluntária, não são servidores públicos e não possuem as mesmas imunidades dos agentes consulares de carreira. Já a defesa da consulesa Siham Harati negou as acusações, enfatizando que não houve retenção de documentos ou limitações de circulação, e que tudo estaria guardado em local seguro, com a funcionária já tendo viajado ao Brasil sozinha em outras ocasiões. A nota também destacou que não havia registros formais de reclamações durante o vínculo laboral, e que a defesa tem colaborado com as autoridades apresentando documentos e registros migratórios para comprovar a rotina de moradia e a liberdade de movimentação da trabalhadora. O caso permanece sob investigação.

O Ministério Público do Trabalho afirmou que instaurou procedimento para apurar a denúncia, visto o potencial de violação de direitos humanos e de tráfico de pessoas com fins de exploração laboral. O Itamaraty reiterou que consules honorários não são servidores, atuando sem remuneração estatal e sem imunidade diplomática, o que reforça a necessidade de acompanhamento das autoridades brasileiras. A defesa da consulesa também informou que não houve registros prévios de denúncias por parte da trabalhadora, e garantiu que a colaboração com as autoridades continuará com a apresentação de documentos, registros migratórios e vídeos que sustentem a versão da rotina de residência e liberdade de circulação da funcionária. O processo segue em andamento.

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Na prática, a defesa da consulesa sustenta que a cirurgia de quadril ocorrera no dia 6 de fevereiro de 2026, no Hospital Israelita Albert Einstein, com internação prevista de sete dias, que acabou se estendendo por cerca de 10 dias devido a complicação de infecção. Segundo esse relato, durante o período de recuperação a funcionária permaneceu sozinha na residência. O contraponto vem da vítima, que afirma que as restrições foram contínuas, não apenas durante o período pós-operatório, e que os abusos teriam se estendido por anos, com resgate só ocorrendo no fim de fevereiro de 2026, após um pedido de ajuda.

Em nota, o MPT afirmou que instaurou procedimento para apurar a denúncia, destacando a urgência de proteger a vítima estrangeira em situação de vulnerabilidade. O Itamaraty reiterou que consules honorários não são servidores públicos, o que reforça a necessidade de acompanhamento institucional para assegurar os direitos trabalhistas e a proteção de pessoas em situação de risco. A defesa da consulesa ressaltou que não houve registros anteriores de reclamação formal por parte da trabalhadora e que tem colaborado com a Justiça, apresentando documentos e registros migratórios que, segundo a defesa, comprovam a rotina de residência e a liberdade de circulação. O caso segue em andamento, com as autoridades conduzindo a investigação de forma detida.

E você, leitor, o que pensa sobre a atuação de autoridades consulares em casos de exploração de trabalhadores? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe a sua opinião sobre como equilibrar proteção de direitos com funções diplomáticas em situações complexas como esta.

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