Resumo: um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Salvador pode transformar o Afoxé Filhas de Gandhy em Patrimônio Cultural Imaterial do município, reconhecendo o protagonismo feminino na tradição, o impacto social de mais de quatro décadas e os desdobramentos para 2027. A iniciativa reforça a proteção, a visibilidade e as ações formativas que mantêm viva a cultura afro-baiana na cidade.
A agremiação nasceu em 1979, criada por Glicéria Vasconcelos e, desde então, é coordenada pela filha, a dançarina, cantora e produtora cultural Silvana Magda. Ela se tornou um símbolo de resistência em meio aos blocos mais periféricos do Carnaval de Salvador, destacando-se pela presença feminina e pela expressão artística que ultrapassa a folia de rua.

A presença feminina no Afoxé Filhas de Gandhy representa marco histórico ao inaugurar o protagonismo de mulheres na tradição, rompendo barreiras de gênero e ampliando a participação, sobretudo de mulheres negras, nos espaços de expressão cultural e religiosa.
IMPACTO SOCIAL E MORADORIAL Com mais de quatro décadas de atuação, o grupo vai além do que se vê na avenida. Ao longo do ano, a agremiação promove ações educativas, formativas e comunitárias que ajudam a transmitir saberes tradicionais, fortalecer a economia criativa e incluir socialmente jovens e adultos em territórios populares.
Ao longo de todos os projetos, cerca de 800 mulheres são atendidas pela instituição. Em entrevista ao Bahia Notícias, Franciane Simplício, responsável pela produção e captação de projetos, ressaltou o poder de transformação do Afoxé:
“Através dos nossos cursos, conseguimos transformar a vida de diversas mulheres que passam por aqui durante todo o ano. A nossa ideia é que este projeto ajude no processo de transformação da realidade dessas mulheres e contribua para a autonomia delas.”

Caso a proposta seja aprovada pela Câmara, o título de Patrimônio Cultural Imaterial garantirá:
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A proteção do patrimônio;
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O respeito aos moradores, grupos e indivíduos envolvidos;
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A conscientização local, nacional e internacional sobre a importância da manifestação;
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O fomento à cooperação e assistência internacionais.
“O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial representa medida de justiça histórica e instrumento de salvaguarda de uma manifestação que integra o patrimônio simbólico da cidade, contribuindo para a proteção, valorização e continuidade das tradições afro-baianas, em consonância com os princípios constitucionais de promoção da cultura, da igualdade racial e do respeito à diversidade religiosa”, afirma o vereador.
A proposta também aponta que o reconhecimento pode ampliar a visibilidade do bloco, atraindo patrocínios e fortalecendo a sustentabilidade financeira de suas ações ao longo do ano.
PLANOS PARA 2027 Após um Carnaval de sucesso em 2026, o Afoxé Filhas de Gandhy já confirmou o desfile para 2027, sob o tema “O Reino de Ajé Olokun: A Realeza do Ouro Abissal”.

Segundo a organização, a estética do desfile trará um contraste marcante entre o branco tradicional do afoxé e o brilho iridescente que remete ao petróleo sob a luz do sol, homenageando o ‘Ouro Negro’.
“A nossa história precisa ser contada com respeito, mas também com a alegria vibrante que nos define. ‘Ouro Abissal’ representa a riqueza que carregamos em nossa essência”, destaca Silvana Magda.
As vendas para o desfile do próximo ano já foram iniciadas com valor promocional de R$ 350.
Agora, leitores da nossa cidade, queremos saber a sua opinião sobre o anúncio de reconhecimento do Afoxé Filhas de Gandhy como Patrimônio Cultural Imaterial. Você acha que a medida pode fortalecer a identidade local, atrair mais investimentos para projetos sociais e assegurar a continuidade de uma tradição que já inspira mulheres e comunidades inteiras? Deixe seu comentário e participe do debate público sobre cultura, diversidade e memória coletiva.

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