Cristão absolvido em caso de blasfêmia sem fundamento no Paquistão

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Resumo: um cristão paquistanês de 62 anos, Shoukat Javed, foi absolvido de acusações de blasfêmia no Paquistão após a vítima perdoar o caso. A denúncia, baseada no Artigo 298-A do Código Penal, decorreu de uma disputa com um vizinho na província de Punjab e revelou como leis de blasfêmia podem ser utilizadas em conflitos pessoais. Organizações de direitos humanos destacam o risco de abusos e o impacto sobre moradores da região.

O caso teve início quando Muhammad Mushtaq Ahmed registrou um Boletim de Ocorrência em 29 de maio de 2024, em Attock, acusando Shoukat Javed de proferir linguagem depreciativa contra figuras reverenciadas no Islã. A acusação, prevista no Artigo 298-A, envolve pena mínima de três anos de prisão. O advogado de Javed, Arooj Ayub, informou que o BO foi apresentado pela mesma pessoa que já o havia denunciado em um caso anterior de narcóticos, o que, segundo ele, reforça a leitura de dispute pessoal por trás das acusações.

Javed foi preso e liberado sob fiança cerca de duas semanas depois. Ayub, representando a Organização de Assistência Jurídica (OLA), afirmou que a queixa por blasfêmia surgiu após uma tentativa de implicar o seu cliente em narcóticos, uma acusação já rejeitada anteriormente. O caso, segundo a defesa, ganhou contornos de disputa local e não de crime grave, o que motivou a atuação da defesa para buscar a absolvição.

O processo registrou atrasos significativos, com pelo menos 13 adiamentos entre setembro de 2024 e janeiro de 2025, em razão da ausência da denunciante e da insuficiência de provas apresentadas pela promotoria. Em 6 de março, a denunciante apresentou pedido de absolvição com base no Artigo 249-A do Código de Processo Penal, alegando falta de provas. Contudo, ao afirmar ter perdoado Javed, a vítima fez com que o tribunal arquivasse o caso, resultando na absolvição do acusado.

Javed descreveu-se como morador de Attock que vive sozinho em um cemitério cristão, atuando também como zelador e pintor de casas. Ele afirmou que os desentendimentos com o vizinho não tinham relação com religião e que, após a libertação, permaneceu na residência sem enfrentar hostilidade de outros moradores da região. A versão dele reforça a percepção de que conflitos pessoais podem submergir sob o peso das acusações de blasfêmia.

Sunil Kaleem, diretor da OLA com sede em Lahore, comentou que o caso reflete preocupações recorrentes de direitos humanos sobre o uso abusivo das leis de blasfêmia no Paquistão. Embora tenha havido uma absolvição, o episódio evidencia a facilidade com que tais leis podem ser usadas para disputas pessoais, ressaltando a importância de um devido processo legal e de uma representação jurídica adequada.

Em junho de 2025, a Human Rights Watch publicou o relatório Uma conspiração para se apropriar da terra, que critica o uso das leis de blasfêmia para perseguir minorias religiosas, resolver queixas pessoais e, em alguns casos, confiscar propriedades. O documento aponta que tais acusações podem incitar violência coletiva, deslocar moradores vulneráveis e gerar um clima de medo entre cristãos, sikhs, hindus e muçulmanos que vivem na região.

Ainda segundo avaliações internacionais, o Paquistão aparece na oitava posição, segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas, entre os 50 países onde é mais difícil ser cristão. Essas colocações alimentam o debate sobre reformas legais e a proteção a moradores que enfrentam discriminação religiosa no país.

O caso de Attock evidencia o dilema entre proteção à fé e direitos individuais, mostrando que decisões judiciais dependem de provas robustas e de uma acusação responsável. Enquanto entidades internacionais pedem reformas, moradores da região observam a necessidade de maior transparência no judiciário e na aplicação dessas leis. Compartilhe sua visão nos comentários: como equilibrar proteção à fé com garantias de devido processo na prática cotidiana?

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